MP-SP denuncia Arthur do Val por incitação ao crime após fala sobre investigados da Faria Lima
Ex-deputado estadual teria defendido a morte de pessoas ligadas a alvos da Operação Carbono Oculto em vídeo publicado no YouTube
Foto: Reprodução/Canal Mamãe Falei/YouTube
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou nesta terça-feira (25) o ex-deputado estadual Arthur do Val (Missão), conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime. A denúncia, apresentada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, tem como base uma declaração feita pelo político em um vídeo publicado em seu canal no YouTube sobre a Operação Carbono Oculto.
Na gravação, Arthur do Val comentou a investigação e afirmou que pessoas da região da Faria Lima que tivessem relação com lavagem de dinheiro deveriam ser mortas. "Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto", declarou.
Segundo o MP-SP, a fala teria sido direcionada a pessoas que prestaram serviços aos investigados Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, apontados como integrantes de um esquema criminoso investigado pela Operação Carbono Oculto.
O Ministério Público apura uma estrutura que teria movimentado mais de R$ 8,4 bilhões em operações relacionadas a crimes financeiros, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, fundos de investimento e suas administradoras e gestoras teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos negócios.
O MP-SP informou que tentou localizar Arthur do Val em diferentes endereços para dar ciência da denúncia e ouvi-lo, mas ele não foi encontrado pelas autoridades.
A denúncia agora será analisada pela Justiça, que deverá decidir sobre o prosseguimento da acusação.
Arthur do Val teve o mandato de deputado estadual cassado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em maio de 2022, após a divulgação de áudios enviados durante uma viagem à Ucrânia, em meio à guerra com a Rússia.
Nas gravações, o então parlamentar fez comentários sobre mulheres ucranianas, afirmando que elas seriam "fáceis" por serem pobres. As declarações provocaram forte repercussão e levaram à abertura de um processo de cassação.
O ex-deputado renunciou ao mandato em abril de 2022, mas teve os direitos políticos cassados pela Alesp no mês seguinte. A decisão também resultou em oito anos de inelegibilidade, período que se encerra em 2030. O caso foi o primeiro de cassação de um deputado estadual pela Alesp em 25 anos.
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