Justiça mantém prisão preventiva de Deolane Bezerra em investigação sobre suposto esquema ligado ao PCC
Influenciadora está presa desde maio e é apontada pelo Ministério Público como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa

Foto: Redes Sociais
A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva da advogada, influenciadora e empresária Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão foi tomada pela 3ª Vara de Presidente Prudente após a reavaliação da prisão preventiva, prevista pela legislação a cada 90 dias. Deolane está presa desde 21 de maio, no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Segundo a decisão, permanecem presentes os requisitos para a manutenção da prisão, entre eles a garantia da ordem pública e econômica, a conveniência da instrução criminal e a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal. O juiz também considerou o risco de continuidade das atividades investigadas e os indícios de atuação estruturada e permanente de uma organização criminosa.
A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) divide o suposto esquema em três núcleos: decisório, operacional e financeiro. O primeiro seria formado por Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. Deolane é apontada pela Promotoria como integrante do núcleo financeiro.
De acordo com o Gaeco, Deolane seria a "principal integrante do núcleo financeiro" e teria utilizado contas bancárias vinculadas a ela e às empresas para ocultar e dissimular valores que, segundo a acusação, teriam origem ilícita. O Ministério Público também afirma que recursos teriam sido convertidos em bens de alto valor econômico.
A acusação sustenta ainda que os investigados utilizavam empresas de fachada e pessoas interpostas para dificultar a identificação da origem dos recursos.
A Justiça também determinou a continuidade das buscas por Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, apontados como sobrinhos de Marcola e que estão foragidos. Para o Ministério Público, a situação dos dois reforça a necessidade da prisão preventiva para garantir a aplicação da lei penal.
Em julho, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou, por unanimidade, um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane. Na ocasião, a relatora afirmou que os argumentos apresentados não demonstravam ilegalidade na prisão preventiva nem justificavam a substituição por prisão domiciliar.
A defesa de Deolane contestou novamente a decisão. Em nota, afirmou receber a manutenção da prisão com surpresa e classificou a medida como "manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional".
Os advogados também afirmaram que Deolane é inocente e que não possui vínculo com organização criminosa. Segundo a defesa, as movimentações financeiras da influenciadora são provenientes de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios, o que, de acordo com os advogados, será demonstrado durante o processo.
A defesa afirmou ainda que continuará utilizando os recursos disponíveis para tentar restabelecer a liberdade da influenciadora.
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