Ministros do STF defendem análise de lei que pode reduzir pena de Bolsonaro
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ministros defendem que Alexandre de Moraes leve ao plenário as ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria

Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem que Alexandre de Moraes coloque em pauta as ações que questionam a constitucionalidade da Lei da Dosimetria, norma que pode reduzir o tempo de Jair Bolsonaro em regime fechado. A informação foi publicada nesta sexta-feira (30) pela coluna de Mônica Bergamo, da *Folha de S.Paulo*.
Segundo a publicação, caso a lei seja considerada constitucional e aplicada ao ex-presidente, o período de cumprimento da pena em regime fechado poderia cair de cerca de sete anos para aproximadamente dois anos e três meses, conforme cálculos de juízes e advogados ouvidos pela coluna.
A estimativa, no entanto, depende do julgamento do STF e da aplicação das novas regras ao caso concreto. Bolsonaro cumpre pena em regime fechado, mas está em prisão domiciliar humanitária por razões médicas, conforme informações publicadas pela *Folha de S.Paulo*.
STF busca reduzir tensão com o Senado
De acordo com a coluna, três magistrados ouvidos pela reportagem avaliam que a análise da constitucionalidade da Lei da Dosimetria também poderia contribuir para diminuir a tensão entre o Supremo e o Senado, cuja composição a partir de 2027 deverá contar com uma ampla bancada alinhada ao bolsonarismo.
A publicação informa que pelo menos 49 dos 81 senadores defendem abertamente o impeachment de ministros do STF. Na avaliação dos magistrados ouvidos, uma definição sobre a aplicação da lei poderia estabelecer uma perspectiva para o fim do cumprimento da pena de Bolsonaro em regime fechado e reduzir a pressão política sobre a Corte.
A análise também poderia enfraquecer propostas de anistia relacionadas aos crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado. Segundo a coluna, ministros consideram que a definição sobre a dosimetria poderia diminuir a pressão por outras medidas destinadas a rever a condenação.
Lei da Dosimetria aguarda julgamento no STF
A Lei da Dosimetria, de número 15.402/2026, teve o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em dezembro de 2025. Após o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Congresso derrubou os vetos em abril de 2026, e a norma foi promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em 8 de maio.
A legislação altera regras do Código Penal e da Lei de Execução Penal. Entre as mudanças, estabelece novos critérios para o cálculo de penas relacionadas aos crimes contra o Estado Democrático de Direito e para a progressão de regime.
No dia 9 de maio, Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da lei às execuções penais relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 até que o plenário do STF julgue as ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas contra a norma. A decisão foi justificada pela necessidade de preservar a segurança jurídica enquanto a Corte não define a validade da legislação.
Até esta sexta-feira (30), segundo a coluna de Mônica Bergamo, o julgamento ainda não havia sido pautado. Moraes é o relator das ações que questionam a constitucionalidade da lei.
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