EUA classificam condenação de Eduardo Bolsonaro como “perseguição e manipulação jurídica”
Ex-deputado foi denunciado pela PGR e acabou se tornando réu no Supremo

Foto: Eduardo Bolsonaro / Flickr
O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como um caso de “perseguição e manipulação jurídica”.
Na última terça-feira (16), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto. A decisão foi tomada de forma unânime pelos ministros.
Segundo o entendimento da Corte, o ex-parlamentar teria atuado para tentar coagir magistrados e articulado possíveis sanções dos Estados Unidos contra o Brasil, numa tentativa de interferir no andamento do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Em reação ao caso, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano afirmou: "Este é o mais recente exemplo de perseguição e manipulação jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política. Os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações", declarou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, sobre o caso.
Já na quarta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o Brasil ao ser questionado durante entrevista à imprensa na cúpula de Évian, na França, pela repórter da TV Globo Bianca Rothier. Na ocasião, ele acabou confundindo os filhos de Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo.
"Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele."
O ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso, entendeu que existem elementos que sustentam a acusação de coação no curso do processo, conforme denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a acusação, Eduardo Bolsonaro teria atuado junto ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para estimular um ambiente de instabilidade e temor, com ameaças e possíveis retaliações estrangeiras contra ministros do STF e contra o próprio Brasil.
O ex-deputado foi denunciado pela PGR e acabou se tornando réu no Supremo. Segundo a acusação, as ações no exterior tinham como objetivo interferir no andamento do processo da chamada trama golpista, que também envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Ainda segundo a Procuradoria, as provas reunidas ao longo da investigação indicariam que a conduta tinha como finalidade favorecer interesses da família Bolsonaro, tentando afastar responsabilizações criminais e interferir no devido processo legal e no funcionamento da Justiça.
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