Ginecologista suspeito de gravar pacientes é solto após audiência de custódia
Decisão apontou falta de elementos para comprovar a materialidade do crime e determinou a soltura do médico.

Foto: Reprodução
O ginecologista Hosana Pereira de Santana foi colocado em liberdade neste domingo (12), após passar por audiência de custódia, dois dias depois de ser preso em flagrante por suspeita de registrar imagens de pacientes durante consultas em uma clínica particular no bairro de Vila Laura, em Salvador.
Na decisão, a Justiça determinou o relaxamento da prisão ao entender que, até o momento, não há elementos suficientes para comprovar a materialidade do crime. Conforme os autos, o médico autorizou o acesso ao celular e forneceu as senhas necessárias para que policiais verificassem a galeria de imagens, aplicativos, arquivos armazenados em nuvem e conteúdos apagados. A análise inicial não encontrou fotos ou vídeos relacionados à denúncia.
A magistrada destacou ainda que o delito investigado depende da existência de registro audiovisual para a comprovação da materialidade. Apesar da soltura, o caso segue sob investigação e o médico responderá ao processo em liberdade, podendo novas diligências e perícias serem realizadas ao longo do inquérito.
Relembre o caso
O ginecologista foi preso na última sexta-feira (10), após uma paciente denunciar que ele estaria utilizando um óculos inteligente com câmera integrada durante uma consulta ginecológica. Segundo a ocorrência policial, a suspeita é de que o equipamento tenha sido usado para registrar imagens das partes íntimas da paciente durante o atendimento.
Ainda de acordo com o registro da ocorrência, durante a abordagem o médico afirmou aos policiais que as imagens seriam destinadas a "fins de pesquisa". O óculos inteligente e o telefone celular do investigado foram apreendidos para perícia.
Como funcionam os óculos inteligentes
Óculos inteligentes com câmera integrada, como os modelos disponíveis no mercado atualmente, realizam gravações apenas quando a função é acionada manualmente pelo usuário. Durante a captura de vídeo, um LED branco localizado na parte frontal do dispositivo permanece aceso para indicar que a gravação está em andamento, servindo como um aviso visual para quem está ao redor.
Dependendo do modelo, os arquivos podem ser armazenados na memória interna do equipamento e posteriormente sincronizados com um smartphone por meio de um aplicativo. Na audiência de custódia, a Justiça registrou que a análise inicial dos dispositivos apreendidos não identificou imagens ou vídeos relacionados à denúncia. A decisão, no entanto, não encerra a investigação, que continuará para esclarecer os fatos.
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