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André Mendonça retira sigilo de ação que apura mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes

Decisão do ministro do STF torna públicos os autos que tratam de conversas atribuídas ao ex-banqueiro do Master e ao ministro Alexandre de Moraes, além de novas informações sobre contrato de R$ 131 milhões do escritório da esposa do magistrado com o banco

| Autor: Redação - Varela Net
André Mendonça retira sigilo de ação que apura mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes

Foto: Divulgação/Banco Master / Gustavo Moreno/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo da ação que apura mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão ocorre após a Polícia Federal identificar Moraes como o interlocutor de Vorcaro em mensagens recuperadas durante as investigações do caso e em meio a novas informações sobre a relação entre o empresário e o ministro.

As conversas foram localizadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e, segundo os investigadores, eram feitas de uma forma que dificultou a recuperação integral do conteúdo. O banqueiro escrevia mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e as enviava pelo WhatsApp em modo de visualização única. Moraes, segundo a investigação, também respondia dessa maneira. Por isso, as mensagens que teriam sido enviadas pelo ministro não foram recuperadas, enquanto parte dos textos escritos por Vorcaro permaneceu armazenada no aparelho.

Em uma das conversas, registrada em 30 de outubro de 2025, Vorcaro relatou a Moraes ter recebido informações de que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Banco Central preparavam medidas contra ele e o Banco Master. O ex-banqueiro pediu que o ministro reforçasse com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, a necessidade de evitar o que chamou de uma “sacanagem” que poderia prejudicar seus negócios.

Segundo relatório da Polícia Federal, “Andrei” seria uma referência a Andrei Rodrigues e “Paulo”, a Paulo Gonet. Na mesma sequência de mensagens, Vorcaro afirmou que havia recebido informações de pessoas ligadas ao Banco Central sobre possíveis medidas contra ele e pediu cautela na condução do caso.

As mensagens continuaram nos dias seguintes. Em 4 de novembro, Vorcaro questionou Moraes sobre a possibilidade de medidas como busca e apreensão ou quebra de sigilo e perguntou se haveria alguma determinação que pudesse ser tomada para impedir o avanço das investigações. Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, o banqueiro teria perguntado ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, voltou a questioná-lo sobre a possibilidade de uma prisão.

A prisão de Vorcaro ocorreu em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, quando ele tentava embarcar em um jato particular. Segundo as investigações, o destino final seria Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O banqueiro foi preso novamente em março deste ano, depois de ter sido solto no fim de novembro.

Diante das novas informações, André Mendonça pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a inclusão de Alexandre de Moraes na investigação do caso Master. Com a retirada do sigilo nesta terça-feira, o conteúdo da ação que trata das mensagens passa a ser acessível, permitindo o conhecimento dos elementos reunidos pela investigação.

A apuração também envolve um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O acordo previa serviços de consultoria estratégica e jurídica, com remuneração que poderia chegar a cerca de R$ 131 milhões.

Novos dados obtidos durante a investigação apontam que Moraes teria participado da edição da versão final do contrato. Metadados do arquivo digital, extraído do celular de Vorcaro, indicam que a última modificação do documento foi realizada por um perfil do Office 365 identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. A edição teria ocorrido em 15 de janeiro de 2024, cerca de uma hora e quarenta minutos depois de Vorcaro devolver a minuta com alterações.

As mensagens trocadas entre Vorcaro e Viviane também mostram a negociação do contrato. Em 11 de janeiro de 2024, a advogada encaminhou ao banqueiro uma minuta para análise. Quatro dias depois, Vorcaro respondeu informando que havia feito ajustes no documento e pediu a validação de uma cláusula. Posteriormente, os dois trataram da forma de assinatura do acordo.

O escritório de Viviane Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso à minuta do contrato. Em nota, a banca afirmou que seu setor de compliance consultou o ministro, na condição de marido da sócia-diretora, para verificar a existência de eventual impedimento legal relacionado à contratação. Segundo o escritório, Moraes informou que não havia impedimento, já que não teria julgado causas envolvendo o Banco Master e o contrato não previa atuação perante o STF.

O acordo estabelecia pagamentos ao longo de 36 meses. Dados encaminhados à CPI do Crime Organizado, no Senado, apontam que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. A banca já afirmou anteriormente que prestou ampla consultoria jurídica ao banco, incluindo a elaboração de pareceres e a participação de outros escritórios em trabalhos relacionados à instituição.

O caso Master chegou ao STF em dezembro de 2025, inicialmente sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele deixou a condução da investigação após surgirem informações sobre operações envolvendo uma empresa ligada à sua família e fundos relacionados a Vorcaro. O processo passou então para André Mendonça.

Com a retirada do sigilo determinada nesta terça-feira, as mensagens atribuídas a Vorcaro e a Alexandre de Moraes passam a integrar de forma pública a apuração conduzida por Mendonça. A PGR também deverá se manifestar sobre o conteúdo das conversas antes de uma eventual decisão sobre a inclusão do ministro na investigação.

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