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Trombose e parada cardíaca: sequelas silenciosas da Covid podem ser mortais

Trombose e parada cardíaca: sequelas silenciosas da Covid podem ser mortais

Varela Net entrevistou Dr. Silva Araújo, que é o Coordenador do setor de Fisioterapia do Hospital Ângelo Martins na cidade de Coração de Maria

| Autor: Brenner Menezes

Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

Enquanto em alguns países houve “controle” da Covid-19 no início da pandemia, a segunda onda da doença no Brasil ocorreu em meio ao caos instalado pela primeira onda, com números elevados de pessoas infectadas no país.  

O Varela Net entrevistou Dr. Silva Araújo, que é o Coordenador do setor de Fisioterapia do Hospital Ângelo Martins na cidade de Coração de Maria. O profissional afirmou que a segunda onda da Covid-19 atingiu bastante o público jovem e destacou a importância de tratamento na recuperação desses pacientes. 

“A nova variante da Covid vem apresentando um poder de contaminação muito maior do que a primeira onda e vem atingindo um público cada vez mais jovem. Público esse que na primeira variante desenvolvia de modo leve e a maioria eram assintomáticos. Falando em relação a reabilitação desses pacientes que foram contaminados com a doença, podemos dividir em dois grupos. Aqueles que necessitaram de um atendimento hospitalar em um prazo prolongado, ou somente aqueles pacientes que tiveram sintomas leve, que não teve a necessidade de internação”, disse. 

O fisioterapeuta chamou a atenção para o processo de reabilitação respiratória. “Nesse momento o fisioterapeuta faz uma avaliação individualizada do paciente e traça seu plano terapêutico, visando uma reabilitação respiratória e motora desse paciente, que seria um conjunto de técnicas realizadas com o objetivo de prevenir e recuperar disfunções do processo de respiração. Se for o caso, ir buscando uma condição respiratória removendo secreções, evitando assim complicações de saúde que possam ser secundárias.  Já a parte motora, têm como objetivo corrigir e restabelecer as condições físicas por meio de exercícios e alongamentos”, falou ao VNet.  

Alguns problemas vasculares estão entre os fatores de risco do novo coronavírus. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular com médicos associados, 39% dos entrevistados tiveram pelo menos um paciente infectado pela Covid que apresentou um quadro de trombose venosa ou embolia.  

É importante entender que a trombose pode ser venosa ou arterial, de acordo com a parte da circulação que atinge. O Dr. Silva Araújo falou ao VNet sobre a Trombose Venosa Profunda (TVP) e citou alguns fatores, que aumentam o risco de um paciente com covid ter a TVP.  

“Uma das maiores preocupações que o fisioterapeuta precisa ter com pacientes que tiveram covid, é com o risco do desenvolvimento da Trombose Venosa Profunda (TVP). O vírus desencadeia um processo de hipercoagulação que fica por meses, após a cura da doença. Fatores como obesidade, etilismo, tabagismo, pacientes grávidas, aumentam e muito o risco de ter uma TVP, que pode resultar numa embolia pulmonar e isso faz com que aumente muito a taxa de mortalidade, em paciente que tiveram ou estão infectado com o vírus, independentemente da idade”, relatou.  

“A embolia pulmonar ocorre quando um coágulo de sangue, geralmente proveniente das veias da perna, se deslocam até o pulmão e bloqueiam os vasos sanguíneos da região. Com isso, o oxigênio não consegue chegar aos tecidos. Para evitar essas comorbidades, a fisioterapia age na mobilidade dos membros inferiores. Dando uma prioridade maior na musculatura que compõe a panturrilha, músculo esse responsável por esse retorno venoso”, completou.  

Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Suécia e publicado na revista European Hear Journal, o risco de morrer após ter uma parada cardíaca, dentro ou fora do hospital, pode ser até quatro vezes maior em pacientes com diagnosticado com o novo coronavírus. Além disso, o fisioterapeuta afirmou que a insuficiência cardíaca é de rápida progressão e bastam apenas 72 horas para que um paciente que foi intubado, tenha um risco de mortalidade de até cinco anos por complicações cardiorrespiratória. 

“Outra preocupação com pacientes infectados com a Covid, são as pessoas cardiopatas. As infecções de modo geral, leva uma série de reações responsáveis por desequilibrar doenças cardiovasculares, antes compensadas e com o vírus não seria diferente, pois esses pacientes já sofrem com seu sistema imunológico. A Covid em si, causa miocardite e insuficiência cardíaca de rápida progressão. Lembrando que, o coronavírus pode ter potência de infectar o coração isoladamente, assim como o pulmão e os rins”, afirmou  

Por fim, o profissional da saúde afirmou que a grande preocupação com os pacientes que tiveram ou estão com a doença é o processo de reabilitação, já que para cada semana de internação, o paciente chega a perder cerca de 20% da força muscular.  

Por isso a importância da fisioterapia, com esses pacientes em âmbito hospitalar, visando limitar a gravidade de todas as sequelas do processo de internação.  

“De um modo geral, a grande preocupação com os pacientes infectados e até mesmo recuperados da doença, independentemente da idade é com as complicações secundárias a Covid, que podem surgir após meses. O processo de reabilitação vai além da parte cardiorrespiratória e motora, além de ser uma terapia que devolve a auto estima do paciente, vontade de viver é uma vitória da vida. Os relatos são muitos, quase que unânime, os pacientes com Covid falar que de agora em diante irá se cuidar cada vez mais. Isso é motivador para nós profissionais. Cada relato e agradecimento ficam guardados em nossos corações e isso não tem preço” 

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