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Lindbergh pede ao STF investigação sobre possível participação de Flávio Bolsonaro em empresa ligada a bets

Lindbergh pede ao STF investigação sobre possível participação de Flávio Bolsonaro em empresa ligada a bets

Deputado quer apuração sobre eventual vínculo econômico do senador com a RioPag, que intermediava pagamentos de casas de apostas credenciadas pela Loterj

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investigue uma eventual participação econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na estrutura empresarial da RioPag S/A, empresa que atua na intermediação de pagamentos de casas de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

O pedido foi apresentado como aditamento a uma notícia de fato já encaminhada ao Supremo. Lindbergh solicita que seja apurado se Flávio Bolsonaro teria participação direta ou indireta na empresa, inclusive por meio de terceiros, e quem seriam os verdadeiros beneficiários econômicos da RioPag e de empresas relacionadas ao grupo.

A RioPag ganhou destaque por atuar no processamento de depósitos e saques realizados por apostadores em casas de apostas autorizadas pela Loterj. Segundo informações reunidas na representação, a empresa recebia taxas pela intermediação das operações, sem assumir diretamente o risco das apostas.

O deputado também pede esclarecimentos sobre cerca de R$ 20,9 milhões em recursos que, segundo a representação, estavam sob responsabilidade da RioPag. O valor foi alvo de uma disputa entre a empresa e a Loterj e chegou a ser bloqueado judicialmente em julho deste ano. Na ocasião, a Justiça do Rio de Janeiro considerou que os recursos tinham natureza pública.

A RioPag contesta a acusação de retenção indevida. Em manifestação divulgada anteriormente, a empresa afirmou que os recursos estão preservados e aplicados em um produto bancário com proteção de capital e que o resgate havia sido solicitado, com previsão de liquidação em outubro de 2026. A empresa também afirmou que a custódia dos valores havia sido determinada pela própria Loterj em 2025.

Na representação enviada ao STF, Lindbergh quer que sejam identificados os controladores efetivos das empresas, os beneficiários finais dos recursos movimentados e o destino dos valores. O deputado também pede que seja esclarecido se Flávio Bolsonaro teve algum tipo de participação nos resultados econômicos da operação.

Entre as medidas solicitadas estão a quebra dos sigilos bancário e fiscal das empresas envolvidas, a identificação dos beneficiários finais e dos acionistas de fundos relacionados ao grupo, além do acesso a informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e do Banco Central. O parlamentar também pede o compartilhamento de dados de outras investigações que possam contribuir para esclarecer a movimentação financeira.

O documento cita, como hipóteses a serem investigadas, possíveis crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, apropriação de recursos e irregularidades relacionadas a contratos públicos e ao sistema financeiro. A representação, porém, não significa que esses crimes tenham sido comprovados ou que Flávio Bolsonaro tenha sido responsabilizado por eles.

A RioPag tem entre seus nomes ligados à estrutura societária o advogado Willer Tomaz, que já foi descrito publicamente como amigo de Flávio Bolsonaro. Tomaz afirma que atua como advogado da empresa e não exerce sua administração. Em manifestação anterior, ele também negou que a disputa envolvendo os R$ 20,9 milhões tivesse relação com vínculos pessoais ou políticos.

O pedido de Lindbergh chega em meio ao debate sobre o mercado de apostas no país e às discussões do governo federal sobre novas medidas para aumentar a fiscalização do setor. A representação busca agora esclarecer a estrutura financeira da RioPag e eventual relação de Flávio Bolsonaro com os negócios, caso o STF determine o avanço das apurações.

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