Defesa de Flávio Bolsonaro tenta derrubar decisão de Moraes e pede afastamento de ministro do caso
Advogados contestam ordem de entrega dos passaportes e alegam que relações envolvendo uma aeronave comprometem a imparcialidade do magistrado
Foto: Montagem - Equipe Varela Net
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) novos recursos para tentar reverter as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz.
Os advogados pedem a revogação da ordem de entrega dos passaportes de Flávio e também questionam a permanência de Moraes na condução da investigação. A defesa solicita que o STF reconheça o impedimento ou a suspeição do ministro, sob o argumento de que existem circunstâncias que poderiam comprometer sua imparcialidade.
A contestação foi apresentada por meio de agravo regimental, recurso utilizado para levar decisões individuais de ministros à análise de outros integrantes da Corte.
Um dos principais argumentos apresentados pelos advogados envolve a empresa Fraction 024, relacionada à administração de uma aeronave utilizada tanto por Flávio Bolsonaro quanto por Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Segundo a defesa, as relações comerciais entre empresas mencionadas na investigação e o escritório de advocacia de Viviane levantariam questionamentos sobre a atuação do ministro no caso.
Os advogados também sustentam que a investigação deveria ser conduzida por outro integrante do STF, apontando conexões com apurações relacionadas a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sob relatoria do ministro André Mendonça.
A determinação de Moraes para que Flávio entregasse seus passaportes foi expedida em 26 de outubro, após solicitação da Polícia Federal. O senador não cumpriu a ordem e deixou o Brasil com a família, utilizando um passaporte italiano.
Flávio, a esposa e as duas filhas embarcaram em um jato particular em Puerto Iguazú, na Argentina, com destino aos Estados Unidos, onde chegaram em 28 de outubro. Os passaportes brasileiros do parlamentar, incluindo o diplomático, foram cancelados pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e Willer Tomaz, com possível utilização de empresas e recursos relacionados a apostas estrangeiras. As suspeitas ainda são objeto de apuração, e a defesa contesta as medidas adotadas contra o senador.
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