Vereador do PT, Senival Moura é preso novamente por suspeita de ligação com o PCC
Parlamentar de São Paulo é investigado por suposto esquema de lavagem de dinheiro na empresa de ônibus Transunião; defesa nega irregularidades e questiona a nova prisão
Foto: André Bueno / Rede Câmara SP
O vereador licenciado de São Paulo Senival Moura, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28), durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. O parlamentar é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teria utilizado a empresa de ônibus Transunião para movimentar recursos de origem ilícita.
A prisão foi realizada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação faz parte da Operação Última Parada, deflagrada em junho para investigar a possível infiltração da facção criminosa no sistema de transporte público da capital paulista.
Senival já havia sido preso em 25 de junho, mas deixou a prisão em 5 de agosto, após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Na ocasião, a desembargadora Carla Rahal Benedetti entendeu que o prazo da prisão temporária deveria ser de cinco dias, e não de 30, determinando a soltura do vereador. O Ministério Público recorreu, e uma nova ordem de prisão preventiva foi expedida após o avanço das investigações.
Além do parlamentar, a Justiça determinou a prisão de outros seis investigados ligados à Transunião. Cinco pessoas foram presas nesta quarta-feira, enquanto duas permaneciam foragidas até a divulgação das informações.
De acordo com os investigadores, Senival seria um dos responsáveis pelo controle financeiro da Transunião, embora não ocupasse formalmente um cargo de direção na empresa. As apurações apontam que pessoas ligadas ao grupo teriam utilizado terceiros para ocultar a propriedade de bens e dissimular a origem de recursos.
A investigação teve origem em levantamentos relacionados à morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, assassinado em 2020. Durante as apurações, foram identificados indícios de movimentações financeiras suspeitas e possíveis vínculos entre integrantes da empresa e pessoas apontadas como ligadas ao PCC.
Segundo informações divulgadas sobre a operação, a Justiça também determinou medidas para bloquear e preservar o patrimônio que pode estar relacionado às atividades investigadas. Entre os bens atingidos estão imóveis, veículos, embarcações e valores mantidos em instituições financeiras.
As suspeitas ainda serão analisadas no processo judicial. A investigação não representa, por si só, comprovação de culpa dos envolvidos.
O advogado Márcio Sayeg, que representa Senival, criticou a nova prisão e afirmou que a defesa foi surpreendida pela decisão. Segundo ele, não foram apresentados fatos novos que justificassem a medida.
“A defesa foi pega de surpresa por não ter nenhum fato novo. O Ministério Público pediu numa cautelar a prisão dele novamente, e agora a gente vai tomar pé do caso”, declarou.
Em nota, a defesa também afirmou que a prisão preventiva não pode ser utilizada como antecipação de pena e que a decisão deveria apresentar fundamentos concretos e individualizados para justificar a restrição da liberdade.
Senival nega envolvimento com organização criminosa e participação em esquema de lavagem de dinheiro. Os advogados afirmam que vão adotar medidas judiciais para questionar a legalidade da prisão e reiteram que o vereador confia na Justiça para demonstrar sua inocência.
Senival Moura está em seu sexto mandato na Câmara Municipal de São Paulo e construiu sua trajetória política no PT. O vereador pediu afastamento da legenda após ser preso pela primeira vez, em junho deste ano.
Ao longo da carreira, também liderou a bancada petista na Câmara. Ele foi eleito vereador em 2004 como suplente e assumiu o cargo em 2007, conquistando posteriormente sucessivas eleições.
A nova prisão ocorre enquanto a investigação sobre a Transunião avança na Justiça. O Ministério Público ofereceu denúncia contra 21 pessoas no caso, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e de participação de integrantes do PCC na estrutura administrativa e financeira da empresa de transporte.
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