PF investiga se Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após notícia de voo para os EUA
Verificações indicam que Flávio não passou oficialmente por nenhum posto regular de controle migratório brasileiro

Foto: Charles Vieira
A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e realiza consultas aos registros de voos entre o país e a Argentina, além de monitorar pontos de fronteira. A apuração foi iniciada após o site argentino Infobae publicar, na madrugada desta terça-feira (27), que o parlamentar teria atravessado a fronteira e embarcado em um jato particular com destino aos Estados Unidos, mesmo após ter os passaportes cancelados e ser proibido de deixar o território nacional.
Até o momento, as verificações indicam que Flávio não passou oficialmente por nenhum posto regular de controle migratório brasileiro, segundo informações das colunas de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, e Lauro Jardim, em O Globo. A PF também entrou em contato com autoridades argentinas para verificar se existe algum registro da entrada do senador no país vizinho. O governo de Javier Milei nega que ele tenha ingressado na Argentina, enquanto aliados do parlamentar apresentam relatos divergentes sobre o suposto deslocamento.
Na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que respeitaria a decisão judicial e entregaria seus passaportes. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
Segundo o Infobae, o senador teria entrado na Argentina utilizando apenas a carteira de identidade, procedimento permitido entre países integrantes do Mercosul. A publicação informou que um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW e registrado em nome da empresa Baires Fly S.A., tinha decolagem prevista para as 2h desta terça-feira, no horário local, a partir de Puerto Iguazú, na província de Misiones. Ainda de acordo com o site, a companhia havia solicitado os procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. No momento da publicação desta reportagem, a aeronave permanecia em solo.
Nenhuma autoridade havia confirmado a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil até a última atualização. À agência Bloomberg, o porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, afirmou que o senador não entrou no país e que nenhuma aeronave com as características mencionadas pela imprensa argentina havia partido em direção aos Estados Unidos. Informações do serviço de rastreamento Flightradar24, consultadas pelo UOL, indicam que o avião citado saiu de Buenos Aires com destino a Puerto Iguazú na noite de segunda-feira (26), mas não apontam uma decolagem posterior rumo ao território norte-americano.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio, também contestou a notícia. “Não saiu”, declarou à coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles. Já dois interlocutores que conversaram com integrantes da segurança do parlamentar na manhã desta terça-feira disseram à coluna de Lauro Jardim que ele está em casa.
Em sentido contrário, outros dois aliados políticos afirmaram ao SBT News que Flávio teria atravessado a fronteira argentina e planejava seguir para os Estados Unidos. Conforme os relatos, a viagem teria sido organizada de última hora e mantida sob sigilo, com apenas os dois aliados informados sobre o plano. Pessoas próximas ao senador também disseram à emissora que ele se considera alvo de perseguição política após a derrota eleitoral e a adoção de medidas judiciais contra ele.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, reagiu com ironia à notícia em mensagem enviada à colunista Mariana Sanches, do UOL. “É o Elon Musk que está mandando um foguete”. Até a última atualização desta reportagem, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia se pronunciado.
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