Polícia investiga mortes de bebês em hospital de SP; advogada relata 36 casos
Inquérito apura seis óbitos no Hospital Salvalus, da rede Hapvida; famílias suspeitam de infecções adquiridas durante internações

Foto: Freepik
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar a morte de bebês atendidos no Hospital e Maternidade Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista. A suspeita é de que algumas crianças tenham contraído infecções durante a internação e morrido em decorrência de complicações como sepse e choque séptico.
O 8º Distrito Policial (Brás) investiga seis casos. No entanto, uma advogada que acompanha familiares das vítimas afirmou estar em contato com 36 mães que perderam os filhos na unidade ao longo dos últimos meses. A reportagem do portal Metrópoles também teve acesso a 16 certidões de óbito relacionadas a crianças atendidas no hospital.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os casos foram comunicados à polícia na quarta-feira (21). A investigação inclui depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise integral dos prontuários médicos para esclarecer as circunstâncias das mortes.
A advogada Eduarda Fragnan Gomes afirmou que o número de famílias que relatam situações semelhantes pode ser maior. “Pra todos os efeitos, na rede [Hapvida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, declarou ao Metrópoles.
Relatos de famílias
Entre os casos relatados está o de Gael França da Silva, que tinha quatro meses quando foi levado ao hospital, em abril, com inflamação na garganta. Segundo a mãe, em depoimento à Polícia Civil, o bebê recebeu medicamentos no primeiro atendimento. No dia seguinte, apresentou palidez e queda da temperatura corporal, e exames apontaram um processo infeccioso.
Gael foi transferido para a UTI, intubado e submetido a tratamento intravenoso. Durante a internação, o pé utilizado para a aplicação dos medicamentos sofreu necrose. O bebê morreu aos sete meses. Na certidão de óbito, foram registradas causas como choque séptico, sepse e pneumonia.
Outro caso é o de Guilherme Ferreira Miranda, que tinha um mês de vida quando foi internado em março. Segundo o relato da família, o bebê apresentou complicações após um procedimento médico, sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu no início de maio. A certidão de óbito apontou choque, coagulação intravascular disseminada e atresia das vias biliares.
Também há o caso de Alice Vitória de Andrade Reis, que morreu aos 12 meses após passar cerca de seis meses internada. A mãe suspeita que a filha tenha contraído uma infecção bacteriana durante a hospitalização. A certidão de óbito registrou, entre as causas, insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa e sepse de foco pulmonar.
Os relatos integram denúncias apresentadas por familiares, mas as circunstâncias de cada morte ainda precisam ser esclarecidas pela investigação.
O que diz o hospital
Em nota, a rede Hapvida, responsável pelo Hospital Salvalus, afirmou que os pacientes mencionados apresentavam condições clínicas distintas e de elevada gravidade e receberam assistência contínua e multidisciplinar, com profissionais de diferentes especialidades.
A instituição declarou que os tratamentos foram individualizados conforme as necessidades de cada criança e a evolução de seu quadro clínico. Em posicionamento divulgado nesta sexta-feira (23), o hospital também afirmou que suas avaliações não identificaram, até o momento, uma origem infecciosa comum entre os casos examinados. Segundo a rede, mais de mil crianças foram atendidas na unidade neste ano.
O hospital informou ainda que mantém canais de acolhimento às famílias e está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades, respeitando a privacidade dos pacientes e o sigilo médico.
A investigação policial deverá esclarecer se houve infecções adquiridas durante as internações e se existem elementos que indiquem falhas na assistência. A presença de sepse ou choque séptico nas certidões de óbito, isoladamente, não comprova que a infecção tenha sido contraída no hospital nem que tenha ocorrido erro médico.
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