PF investiga possível apoio do governo Milei à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Investigadores apuram participação de assessor do presidente argentino na viagem do senador aos Estados Unidos, após descumprimento de ordem judicial
Foto: Montagem - Equipe Varela Net
A Polícia Federal (PF) investiga a suspeita de que Flávio Bolsonaro (PL) tenha contado com apoio de pessoas ligadas ao governo do presidente argentino Javier Milei para deixar o Brasil e viajar aos Estados Unidos. A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (28).
Segundo informações divulgadas pela imprensa, um dos pontos analisados pelos investigadores é a presença de Santiago Caputo, assessor próximo de Milei, em Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. Relatos da imprensa argentina apontam que ele teria acompanhado a movimentação do senador na região.
Flávio chegou a Miami nesta quarta-feira, acompanhado da mulher e das duas filhas, após passar pela Argentina e fazer uma escala no Equador. A viagem ocorreu depois de o senador não cumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
A viagem teria sido realizada em um jato particular Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly. Conforme informações publicadas pelo jornal La Nación, a contratação da aeronave teria sido intermediada por uma pessoa próxima a Santiago Caputo.
A empresa é ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado na Argentina por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a recursos da Agência Nacional de Deficiência do país.
Até o momento, não há comprovação de que a empresa ou seus responsáveis tenham participado de uma operação para auxiliar Flávio a deixar o Brasil. A possível colaboração de integrantes do governo argentino também permanece sob investigação.
Na segunda-feira (26), Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A medida foi motivada por uma avaliação de risco de saída do território nacional após a derrota do senador nas eleições presidenciais.
Flávio não entregou os documentos no prazo estabelecido. A Polícia Federal cancelou seus passaportes brasileiros e diplomáticos, mas o senador teria utilizado um passaporte italiano para entrar na Argentina.
O descumprimento da determinação judicial não resultou automaticamente em uma ordem de prisão. A apuração busca esclarecer as circunstâncias da viagem e eventual participação de terceiros.
O governo de Donald Trump informou que emitiria vistos para Flávio e seus familiares e permitiria a entrada deles nos Estados Unidos. O senador desembarcou em Miami nesta quarta-feira.
Flávio é alvo de dois inquéritos no STF: um que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas on-line e outro relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações não representam, por si só, comprovação de culpa.
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