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Brasileira é condenada à prisão perpétua após Justiça apontar atropelamento do marido como crime por herança

Brasileira é condenada à prisão perpétua após Justiça apontar atropelamento do marido como crime por herança

Adilma Pereira Carneiro foi apontada como mentora de plano que envolveu sete cúmplices para provocar a morte de Fabio Ravasio, na Itália

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Redes Sociais

A brasileira Adilma Pereira Carneiro, de 51 anos, foi condenada à prisão perpétua na Itália pela morte do então marido, Fabio Ravasio, de 52 anos. O italiano morreu em 9 de agosto de 2024, após ser atropelado enquanto andava de bicicleta por uma ciclovia em Parabiago, na região de Milão. O caso foi inicialmente tratado como um atropelamento com fuga, mas a investigação posterior concluiu que a ocorrência teria sido forjada para provocar a morte da vítima.

A sentença do Tribunal de Busto Arsizio apontou Adilma como a responsável por idealizar e coordenar o crime, que teria sido planejado durante meses com a participação de outras sete pessoas. Segundo os magistrados, o objetivo seria obter o patrimônio de Ravasio, estimado em cerca de 3 milhões de euros, além de valores relacionados a seguros de vida. A decisão é de primeira instância e as defesas dos réus já anunciaram que irão recorrer.

Além de Adilma, Marcello Trifone e Fabio Lavezzo também foram condenados à prisão perpétua. Massimo Ferretti recebeu pena de 24 anos, enquanto Igor Benedito, filho de Adilma, foi condenado a 23 anos. Mohammed Dhaibi recebeu 22 anos, Mirko Piazza foi sentenciado a 14 anos e quatro meses e Fabio Oliva, a 14 anos de prisão.

De acordo com as informações divulgadas pelo jornal italiano Il Giorno, cada integrante teria recebido uma função específica no plano. Trifone estava no carro utilizado no atropelamento, enquanto Lavezzo teria sinalizado ao motorista o momento em que Ravasio passaria pela ciclovia. Igor Benedito teria dirigido o veículo, Dhaibi ficou responsável por facilitar a ação bloqueando o trânsito e Piazza teria coordenado a comunicação entre os envolvidos. Oliva, por sua vez, foi apontado como o responsável por fazer a manutenção do automóvel depois do crime.

Ferretti, que era ex-companheiro de Adilma e trabalhava no Maison Café, confessou participação no crime. Segundo seu depoimento, algumas das reuniões usadas para organizar a ação ocorreram no estabelecimento. Ele também afirmou que recebeu informações sobre a rotina de Ravasio e ajudou na escolha do local onde o atropelamento seria realizado. O filho de Adilma também admitiu envolvimento e afirmou à Justiça que a mãe teve participação na organização do plano.

A investigação apontou ainda que Adilma teria inicialmente pressionado Ferretti para contratar um matador de aluguel. O custo estimado, de aproximadamente 100 mil euros, teria levado o grupo a optar pela simulação de um acidente. Durante o processo, Ferretti afirmou que havia sido influenciado pelo relacionamento que mantinha com Adilma e relatou que ela dizia ser vítima de violência doméstica e acusava Ravasio de também ter cometido abusos contra os filhos. As declarações foram apresentadas no processo como parte do contexto usado para convencer os envolvidos a participar da ação.

Para os magistrados, a motivação econômica foi um dos principais elementos do crime. Ravasio e Adilma viviam juntos e tinham filhos gêmeos. A investigação analisou o patrimônio da família, seguros e movimentações financeiras relacionadas à brasileira. Os juízes também apontaram que Adilma teria exercido influência sobre pessoas próximas, inclusive algumas que não teriam uma vantagem financeira direta com a morte do italiano.

As apurações financeiras identificaram ainda transferências que somaram cerca de 226 mil euros em 2023, além de movimentações envolvendo pessoas e empresas relacionadas à brasileira em diferentes países. Segundo as razões da sentença, parte dos recursos teria sido enviada a líderes religiosos brasileiros. A Justiça também mencionou imóveis e outros bens associados a Adilma, entre eles uma propriedade na Riviera Francesa e um imóvel que teria sido financiado com recursos emprestados pelos pais de Ravasio.

Adilma negou as acusações durante o processo e, antes da sentença, afirmou que não tinha motivos para matar Ravasio. A defesa sustenta que ela é inocente. O advogado Mattia Fontanesi afirmou à imprensa italiana que já recebeu autorização para apresentar recurso e que aguarda a divulgação integral dos fundamentos da decisão para preparar a contestação. “Ela está surpresa com a sentença de prisão perpétua, pois sempre manteve sua inocência, e nós também acreditamos nisso”, declarou.

Após a morte de Ravasio, a Justiça italiana também reabriu a investigação sobre a morte de Michele Della Malva, ex-marido de Adilma, ocorrida em dezembro de 2011. Na época, o caso havia sido atribuído a um infarto. Os promotores passaram a analisar a possibilidade de que a morte tenha ocorrido por envenenamento, mas essa apuração é independente da condenação pelo assassinato de Ravasio.

Nascida no Rio Grande do Norte, Adilma viveu em São Paulo antes de se estabelecer na Itália, onde era sócia de uma empresa do setor imobiliário. A imprensa italiana passou a chamá-la de “Louva-a-Deus de Parabiago” e “Viúva Negra Brasileira”, em referência a espécies de animais associadas à morte do parceiro após o acasalamento. Os apelidos, porém, não fazem parte da decisão judicial.

A família de Fabio Ravasio comemorou a condenação dos oito réus. Os advogados Francesco Arnone e Vincenzo Montalbano afirmaram que consideram a sentença justa e destacaram que todos os acusados foram considerados culpados. As defesas de Adilma, Dhaibi, Trifone e Lavezzo anunciaram recursos. O processo envolvendo Ariane, filha de Adilma, tramita separadamente e ainda terá julgamento próprio.

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