“Boneco eleitoral”: Gilmar Mendes sobe o tom contra Mendonça durante julgamento de Moraes
Ministro do STF criticou condução do caso e afirmou que episódio teria sido transformado em instrumento político durante sessão desta terça-feira (15)
Foto: Montagem - Equipe Varela Net
O julgamento que envolve o ministro Alexandre de Moraes foi marcado por um novo momento de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). Durante a sessão, o ministro Gilmar Mendes subiu o tom ao criticar a atuação do colega André Mendonça e afirmou que o episódio estaria sendo utilizado como uma espécie de instrumento eleitoral.
Em uma das falas mais contundentes, Gilmar classificou a situação como um “boneco eleitoral” e questionou a forma como o caso vinha sendo conduzido.
“É flagrante, evidente, que se trata de um pichuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando”, afirmou Gilmar.
A declaração ocorreu durante o embate entre os dois ministros, que discutiam a condução das investigações relacionadas ao caso envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Gilmar também criticou a escolha da data para o julgamento e relacionou o momento da sessão ao calendário político de 2026. Segundo o ministro, a proximidade com o 7 de Setembro e com o período eleitoral poderia colocar o Supremo no centro da disputa política.
“Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, declarou.
Mendonça reagiu às críticas e pediu que Gilmar não apontasse o dedo para ele durante a discussão.
“Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar, não aponte o dedo, não está falando com qualquer um, respeite esse tribunal”, respondeu Mendonça.
Na sequência, Gilmar pediu que o colega concluísse sua manifestação, mas Mendonça afirmou que ainda avançaria em sua argumentação. O ministro citou um relatório da Polícia Federal que, segundo ele, havia sido encaminhado ao relator em abril e trataria de um suposto vazamento relacionado às informações que chegaram à imprensa.
A sessão ocorre em meio à crise provocada pelas divergências sobre a relação entre Moraes e Vorcaro e pela atuação de Mendonça no caso. O julgamento desta terça-feira analisa elementos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes, que não participa da votação por estar diretamente envolvido na controvérsia.
O episódio entre Gilmar e Mendonça expôs novamente a tensão dentro da Corte, com os ministros divergindo publicamente sobre a condução do caso e sobre os possíveis efeitos políticos da disputa. A discussão sobre a atuação de Mendonça deve ser analisada em uma sessão posterior do Supremo.
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