Eleições nos EUA: o que está em jogo para Trump e para o Brasil?
Disputa pelo Congresso testa força do presidente e repercute entre aliados de Bolsonaro
Foto: Divulgação Casa Branca/Ricardo Stuckert
Os Estados Unidos se preparam para uma das principais disputas políticas do ano. Na próxima terça-feira (3), os eleitores vão às urnas para escolher representantes para o Congresso em uma eleição que pode mudar a relação de forças entre republicanos e democratas. Conhecida como midterm, a votação de meio de mandato será um teste para o presidente Donald Trump, que tenta preservar a maioria de seu partido no Legislativo.
Apesar de não disputar a Presidência, Trump é o principal personagem da campanha. O republicano tem participado de comícios e eventos para impulsionar candidatos aliados, em uma tentativa de manter o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Uma eventual derrota pode dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar a pressão política sobre o presidente nos dois últimos anos de seu mandato.
A disputa ocorre em meio a debates sobre o custo de vida, imigração, saúde, tarifas comerciais e a atuação dos Estados Unidos no conflito com o Irã. Os democratas têm usado esses temas para criticar a gestão republicana e tentar convencer os eleitores de que é necessário mudar a composição do Congresso.
As eleições de meio de mandato costumam funcionar como uma avaliação do partido que ocupa a Casa Branca. Neste ano, os democratas buscam recuperar espaço, enquanto os republicanos tentam evitar que a oposição conquiste força suficiente para limitar a agenda de Trump.
O presidente também tem recorrido a aliados do Partido Republicano para fortalecer sua campanha. Entre os principais nomes estão o vice-presidente JD Vance, que atua na articulação política do governo, e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, responsável por conduzir a agenda republicana na Casa. Trump tem viajado pelo país para participar de eventos e pedir votos para candidatos do partido, especialmente em estados onde a disputa é mais acirrada.
Do lado democrata, o principal adversário político de Trump nesta eleição é o próprio partido, que busca recuperar o controle da Câmara e do Senado. Entre suas principais lideranças estão Hakeem Jeffries, na Câmara, e Chuck Schumer, no Senado. Os democratas têm concentrado o discurso em temas como custo de vida, saúde e críticas às tarifas comerciais e à condução da política externa pelo presidente.
A campanha também tem sido marcada pela participação de outras figuras conhecidas do cenário político americano. O ex-presidente Barack Obama tem atuado em eventos de mobilização democrata, enquanto Trump utiliza sua popularidade entre os eleitores republicanos para impulsionar candidatos em diferentes regiões do país.
Brasil também entra no radar da eleição
A disputa americana tem reflexos diretos no Brasil, principalmente pela relação política construída entre Trump e a família Bolsonaro. A proximidade entre os dois grupos ganhou ainda mais destaque após a eleição presidencial brasileira e a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos.
Depois de deixar o Brasil, Flávio publicou uma carta na qual se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e contestou o resultado das urnas, alegando fraude eleitoral sem apresentar provas. No documento, agradeceu a Trump e ao presidente argentino Javier Milei pela acolhida.
A relação voltou ao noticiário neste sábado (31), quando Trump afirmou que Flávio poderia permanecer nos Estados Unidos “pelo tempo que quiser”. Apesar da declaração, o presidente americano disse que não tem planos de se encontrar com o senador. A fala foi publicada em reportagem da Reuters, após Flávio chegar ao território americano na quarta-feira (28).
A aproximação entre Trump e os Bolsonaro também tem um histórico de repercussões diplomáticas. Durante seu governo, o republicano adotou medidas contra autoridades brasileiras e criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente as relacionadas aos processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio evidenciou como a relação política entre os dois grupos pode ultrapassar o campo ideológico e alcançar as relações entre os países.
Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o resultado das eleições americanas será acompanhado com atenção. Uma eventual mudança na composição do Congresso poderá alterar o ambiente político em Washington e influenciar debates sobre tarifas comerciais, acordos econômicos e política externa. Embora o presidente americano mantenha poderes importantes nessas áreas, o Legislativo pode fiscalizar o governo, pressionar por mudanças e dificultar a aprovação de medidas.
A eleição de 3 de novembro, portanto, não vai escolher um novo presidente dos Estados Unidos, mas poderá definir o espaço político que Trump terá para conduzir o restante de seu mandato. Para o Brasil, o resultado também será importante para acompanhar os rumos da relação com Washington e o futuro da articulação entre o movimento conservador americano e seus aliados brasileiros.
Varela Net agora mais perto de você: receba as notícias em tempo real no seu WhatsApp clicando aqui.