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Câncer de intestino cresce entre adultos jovens no Brasil e acende alerta para diagnóstico precoce

Dados chamam a atenção para a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes

| Autor: Ramilton Silva
Câncer de intestino cresce entre adultos jovens no Brasil e acende alerta para diagnóstico precoce

Foto: Freepik

O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, tem registrado aumento entre pessoas mais jovens no Brasil. Embora a doença seja mais comum em pessoas com idade avançada, estudos apontam que os casos também estão crescendo entre adultos com menos de 50 anos, incluindo pessoas na faixa dos 30 anos.

Um estudo realizado pelo A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo, analisou 5.559 casos diagnosticados entre 2000 e 2023. Os resultados apontaram um crescimento médio de 8,5% ao ano entre pessoas de 30 a 39 anos. Já entre os pacientes com menos de 50 anos, o aumento foi de 7,6% ao ano. Para quem tinha 50 anos ou mais, a média de crescimento foi de 8,1% ao ano.

Os dados chamam a atenção para a importância de reconhecer os sinais da doença e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes, mesmo entre pessoas mais jovens.

O assunto voltou a ganhar destaque após a morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, em 18 de outubro de 2026. Conhecida por interpretar Roberta Messi na novela Rebelde, a artista enfrentava um câncer de intestino. Segundo informações divulgadas pela família e pela imprensa, ela recebeu o diagnóstico meses antes de morrer e manteve a doença em sigilo durante o tratamento.

O caso chamou a atenção por envolver uma pessoa com menos de 40 anos e reforçou o debate sobre o crescimento da doença nessa faixa etária. No entanto, a preocupação não se limita à história da artista: estudos também apontam uma tendência de aumento dos diagnósticos entre adultos jovens.

Casos de famosos chamam atenção para a doença

Outro caso conhecido no Brasil foi o da cantora Preta Gil, que morreu em julho de 2025, aos 50 anos, após enfrentar um câncer colorretal. Ela recebeu o diagnóstico em janeiro de 2023 e compartilhou parte de seu tratamento com o público.

Em 2024, a doença voltou e atingiu outros órgãos. A cantora chegou a buscar tratamento nos Estados Unidos, mas morreu após enfrentar complicações relacionadas ao câncer.

No cenário internacional, o ator James Van Der Beek, conhecido pela série Dawson’s Creek, morreu em fevereiro de 2026, aos 48 anos, após tratar um câncer colorretal. O artista havia tornado público o diagnóstico em 2024.

Embora os três casos envolvam pessoas de idades diferentes, eles mostram que a doença também pode atingir quem ainda não chegou aos 50 anos. As histórias individuais, porém, não explicam sozinhas o aumento dos casos. Para entender essa tendência, é necessário considerar os estudos e os dados de saúde.

Câncer de intestino preocupa no Brasil

O câncer colorretal também representa um desafio para a saúde pública brasileira. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam cerca de 53,8 mil novos casos por ano no país no período de 2026 a 2028, considerando homens e mulheres.

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base em registros hospitalares, identificou 2.767 casos de câncer de cólon em pessoas com menos de 40 anos entre 2020 e 2023. O número representa 5,7% dos 48.550 casos registrados no levantamento.

Os dados se referem a pacientes registrados em hospitais e ao câncer de cólon, uma parte dos tumores que atingem a região colorretal. Por isso, não representam necessariamente todos os casos da doença no Brasil.

Já a pesquisa do A.C. Camargo Cancer Center identificou crescimento dos diagnósticos em diferentes faixas etárias ao longo de mais de duas décadas. Os resultados reforçam a necessidade de atenção à doença também entre pessoas mais jovens.

Quais são os sintomas do câncer de intestino?

Um dos desafios para identificar a doença é que os primeiros sintomas podem ser confundidos com problemas intestinais comuns. Em alguns casos, o câncer também pode não apresentar sinais claros no início.

Entre os sintomas que merecem atenção estão sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, diarreia ou prisão de ventre frequentes, dores abdominais, anemia, perda de peso sem explicação e sensação de que o intestino não foi completamente esvaziado.

A presença desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. No entanto, quando eles persistem, é importante procurar atendimento médico para investigar a causa.

O cuidado deve ser ainda maior quando há histórico familiar de câncer de intestino, principalmente entre parentes próximos. Nesses casos, o médico pode recomendar acompanhamento e exames em uma idade mais precoce.

O que pode aumentar o risco da doença?

O câncer de intestino pode estar relacionado a diferentes fatores, incluindo hábitos de vida, histórico familiar e alterações genéticas. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o sedentarismo, o excesso de peso, o consumo frequente de carnes processadas, a ingestão elevada de carne vermelha, o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas.

Ter parentes próximos que tiveram a doença também pode aumentar o risco. Por isso, conhecer o histórico de saúde da família é importante para orientar o acompanhamento médico.

Apesar dessas associações, nem todos os casos têm uma causa identificada. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool são medidas que ajudam a cuidar da saúde, mas não eliminam completamente o risco de desenvolver a doença.

Diagnóstico precoce pode aumentar as chances de tratamento

Identificar o câncer de intestino no início é importante para melhorar as chances de sucesso do tratamento. A investigação pode incluir exames de fezes, colonoscopia e biópsia, de acordo com os sintomas e a avaliação médica.

A colonoscopia permite examinar o interior do intestino grosso e identificar alterações, como pólipos, que podem ser retirados antes de se transformarem em câncer.

A indicação dos exames depende de fatores como idade, histórico familiar e presença de sintomas. Por isso, a avaliação deve ser feita por um profissional de saúde.

O aumento dos casos entre adultos jovens reforça que a doença não deve ser descartada apenas porque o paciente tem menos de 40 ou 50 anos. A atenção aos sintomas e a procura por atendimento médico podem ajudar a evitar atrasos no diagnóstico.

 

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