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Dia Internacional da Mulher: o crescimento do futebol feminino no Brasil

Dia Internacional da Mulher: o crescimento do futebol feminino no Brasil

Neste Dia Internacional da Mulher, trajetórias de atletas como Marta, Formiga e Cristiane inspiram uma nova geração

| Autor: João Victor Viana

Foto: @martavsilva10 / @oficial_formiga / @crisrozeira

O futebol sempre foi tratado no Brasil como uma paixão nacional. Porém, durante anos, essa paixão teve gênero definido: o masculino. Enquanto estádios lotavam para ver seus ídolos, mulheres enfrentavam preconceito, falta de estrutura e invisibilidade para poder simplesmente jogar bola. Entretanto, essa história começou a mudar graças à persistência de atletas que abriram caminhos para as gerações seguintes.

Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, o futebol feminino brasileiro se apresenta como um símbolo de resistência e transformação. A trajetória de jogadoras que marcaram época, como Marta, Formiga e Cristiane, mostra que o esporte deixou de ser apenas um sonho distante para muitas meninas e passou a se consolidar como carreira e inspiração.

Durante boa parte do século XX, as mulheres sequer tinham o direito de jogar futebol no Brasil. Entre 1941 e 1979, a prática foi oficialmente proibida no país, sob a justificativa de que o esporte seria “incompatível” com o corpo feminino. Mesmo após a revogação da proibição, o desenvolvimento do futebol feminino avançou lentamente, marcado principalmente pela falta de investimentos e estrutura.

Foi nesse cenário que surgiram atletas que mudariam o rumo da modalidade

Entre as grandes responsáveis por colocar o futebol feminino brasileiro no mapa mundial está Marta, ou Rainha Marta, como é carinhosamente conhecida. Considerada por muitos a maior jogadora da história do esporte, Marta, natural de Dois Riachos, em Alagoas, superou dificuldades financeiras e estruturais para chegar ao topo do futebol mundial. Durante sua carreira, a Rainha conquistou seis vezes o prêmio de melhor jogadora do mundo da FIFA e se tornou a maior artilheira da história das Copas do Mundo, entre homens e mulheres.

Ao lado de Marta, outras atletas também ajudaram a construir essa história. Como o caso de Formiga, que se tornou símbolo de longevidade e dedicação ao esporte. Com mais de duas décadas defendendo a seleção brasileira, Formiga participou de sete Copas do Mundo e sete Jogos Olímpicos, algo inédito no futebol. Sua trajetória representa a resistência de uma geração que jogava praticamente por amor, em um período de pouca valorização.

Além das duas citadas acima, Cristiane também figura entre os grandes nomes dessa fase. Conhecida pelo seu faro de gol e por ser decisiva em competições internacionais, a centroavante ajudou a consolidar a seleção brasileira como uma das forças do futebol feminino mundial, principalmente em Jogos Olímpicos e Copas do Mundo.

Uma nova geração ganha espaço

Se as pioneiras, como Marta, Formiga e Cristiane, lutaram para o futebol feminino ser reconhecido, a nova geração começa a colher os frutos dessa mudança. Nos últimos anos, jogadoras como Debinha, Kerolin, Ary Borges e Geyse Ferreira vêm ganhando destaque, seja na seleção brasileira ou em seus clubes.

Com mais campeonatos organizados, maior visibilidade na mídia e investimentos crescentes por parte de clubes e patrocinadores, o cenário atual é diferente daquele vivido pelas gerações anteriores. A criação e o fortalecimento do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino Série A1, por exemplo, ajudaram a profissionalizar a modalidade e aumentar o espaço para novas atletas.

Além disso, clubes tradicionais do futebol masculino passaram a investir mais em equipes femininas, impulsionados também por exigências da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da FIFA, que estimulam o desenvolvimento da modalidade. Essa mudança de cenário tem permitido que meninas vejam no futebol uma possibilidade real de carreira, algo que há anos parecia distante.

Com isso, o crescimento da modalidade nos últimos anos indica um caminho de transformação. A presença de cada vez mais mulheres no esporte, seja como jogadoras, treinadoras, árbitras ou dirigentes, reforça a importância de aumentar os espaços e garantir mais igualdade dentro e fora de campo.

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