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Descongestionantes nasais viciam? Veja os problemas do uso excessivo desse tipo de medicamento

Descongestionantes nasais viciam? Veja os problemas do uso excessivo desse tipo de medicamento

Entenda como funcionam os descongestionantes e como substituí-los no cotidiano

| Autor: Gustavo Nascimento

Foto: Divulgação

Quem sofre com problemas respiratórios e alérgicos certamente já utilizou ou utiliza soros nasais para aliviar a congestão no nariz. Contudo, apesar de parecer inofensiva e até benéfica, essa prática pode ser muito prejudicial se não for feita da maneira correta. Neste sentido, esta reportagem busca investigar quais são os principais perigos do uso prolongado e excessivo de descongestionantes nasais, além de entender quais são as alternativas que podem ser mais seguras para o uso cotidiano. 

Antes disso, é preciso entender como funcionam esses medicamentos no organismo humano. 

A sensação de nariz entupido geralmente acontece quando há uma vasodilatação, ou seja, quando os vasos se enchem de sangue na região, o que dificulta ou impede a passagem do ar. Dessa forma, os descongestionantes agem de forma contrária, como vasoconstritores, ou seja, diminuem o calibre dos vasos, o que reduz o inchaço e a produção de muco na região, trazendo um alívio temporário da incômoda sensação de estar com o nariz entupido. 

As principais substâncias encontradas em descongestionantes nasais são a oximetazolina e a fenilefrina. A oximetazolina é considerada mais potente e duradoura, com seus efeitos podem durar de 10 a 12 horas. Enquanto isso, a fenilefrina é menos potente que a oximetazolina, com estudos indicando que ela pode ser retirada do mercado por ineficácia em alguns casos. Seu efeito é mais curto, e pode ter cerca de 3 a 6 horas de duração. 

Em ambos os casos, o mais recomendado é que o uso do medicamento não ultrapasse três dias consecutivos, já que eles podem causar diversos problemas. 

Quais são os riscos do uso excessivo?

O risco mais comum associado ao uso excessivo de descongestionantes nasais é o chamado "efeito rebote" ou, de forma mais técnica, a rinite medicamentosa. Após o período de três a cinco dias consecutivos de uso, os vasos sanguíneos nasais da região nasal podem perder a sensibilidade ao medicamento, o que pode resultar em uma congestão nasal ainda pior quando o efeito do descongestionante passa.

Dessa forma, o efeito rebote leva o usuário a um ciclo vicioso em que é criada a necessidade de utilizar o medicamento com mais frequência para obter alívio, o que agrava ainda mais o problema. Nesse sentido, o alívio rápido proporcionado pelos medicamentos pode fazer com que os usuários sintam que não conseguem respirar confortavelmente sem eles, o que também pode levar ao uso contínuo e ao aumento das doses.

O médico Fabrizio Ricci Romano, especialista da Aborl-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e otorrinolaringologista do Hospital Moriah, explica como se dá esse processo. “O grande problema desse remédio é que ele tem uma propriedade chamada taquifilaxia, que é você meio que ‘se acostumar’ com ele, ou seja, começa a precisar de doses cada vez maiores para conseguir o mesmo efeito; é o que acontece com a maioria das drogas”, destacou. 

Como o medicamento força a redução da circulação sanguínea de forma artificial, o corpo passa a aumentar a produção das substâncias que causam obstrução durante o tempo de efeito. Quando o efeito do remédio passa, a quantidade de substâncias geradoras de obstrução nasal está maior do que antes do uso do remédio. [Primeiro] a pessoa fica 12 horas desentupida. Aí ela [passa a] ficar 10 horas, depois 8 horas, depois 6 horas [e assim por diante].

Ou seja, o que tinha o objetivo de proporcionar um rápido alívio ganha o potencial de se tornar um vício prejudicial não só para a parte psicológica, mas também no âmbito físico, visto que o uso prolongado de descongestionantes pode danificar as membranas mucosas nasais. As substâncias vasoconstritoras presentes nos medicamentos podem causar ressecamento, irritação e inflamação das passagens nasais, o que pode evoluir para danos permanentes aos tecidos nasais, levando a problemas crônicos de congestão e outras complicações.

Além disso, os descongestionantes nasais podem ter efeitos sistêmicos, como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, representando um risco significativo para pessoas com hipertensão, doenças cardíacas e outras condições cardiovasculares. Ainda, é possível que sejam desencadeados efeitos colaterais como nervosismo, insônia, tremores e dores de cabeça.

Esses problemas podem apresentar sérios riscos para grupos mais fragilizados, como idosos, gestantes e pessoas com condições de saúde pré-existentes. Em crianças, por exemplo, o uso inadequado de descongestionantes nasais pode levar a efeitos colaterais graves, como convulsões.

Descongestionante e corticoides

Fabrizio Romano também fez um alerta para os descongestionantes que têm corticoides na fórmula, que seriam ainda mais perigosos que os descongestionantes comuns. 

Os corticoides fazem parte de uma classe de medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores que imitam o hormônio cortisol, produzido naturalmente pelo corpo. Os corticoides são utilizados para tratar uma variedade de condições, como doenças alérgicas, autoimunes, reumatológicas e respiratórias, mas seu uso prolongado também causa uma série de efeitos colaterais. 

Segundo Romano, a substância, por si só, pode causar diversos efeitos sistêmicos no organismo, como inchaço no rosto, níveis elevados de açúcar no sangue e afinamento dos braços e das pernas.

Já atendi alguns pacientes que tiveram, inclusive, a síndrome de Cushing, que desenvolvem uma série de problemas de saúde pelo excesso de corticóide, só por conta desses remédios no nariz.

O que pode substituir os descongestionantes?

Uma alternativa segura e eficaz para substituir os descongestionantes nasais são as soluções salinas, que ajudam a hidratar e limpar as passagens nasais sem os riscos associados aos descongestionantes. Diferentemente dos descongestionantes, esse tipo de tratamento pode ser realizado várias vezes ao dia para aliviar a congestão.

Beber bastante água e usar vapor ou umidificadores também pode ajudar a manter as passagens nasais úmidas, o que facilita a respiração e pode aliviar a congestão de forma natural. Ainda assim, também é fundamental identificar e tratar as causas subjacentes da congestão nasal, como infecções (resfriados, gripes, sinusite), reações alérgicas (rinite alérgica, poeira, pólen) e problemas estruturais do nariz (desvio de septo, pólipos nasais).

Mesmo assim, antes de iniciar qualquer tratamento para congestão nasal, é sempre recomendável consultar um profissional de saúde, que pode ajudar a identificar a causa da congestão e recomendar o tratamento mais adequado, minimizando os riscos de complicações.

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