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Da tragédia ao recomeço: Chapecoense retorna à Série A nove anos após o acidente

Da tragédia ao recomeço: Chapecoense retorna à Série A nove anos após o acidente

Chape celebra acesso à Série A no mês que marca quase uma década do acidente que mobilizou o mundo

| Autor: João Victor Viana

Foto: Rafael Bressan / ACF

Neste mesmo dia (29), em 2016, o mundo parava. O avião que levava a delegação da Chapecoense para disputar sua primeira final internacional (Sul-Americana) caiu perto de Medellín, na Colômbia. A bordo estavam jogadores, comissão técnica, dirigentes, jornalistas e tripulação: no total, 77 pessoas. O trágico acidente resultou na morte de 71 delas. Somente seis sobreviveram.

O impacto dessa tragédia foi imenso. Em questão de horas, o que poderia ser um marco histórico (a chance de um título internacional) se transformou no maior drama da história recente do futebol mundial. Luto, dor, tristeza, vidas perdidas, famílias despedaçadas. Um clube e uma torcida arrancados de sua estabilidade emocional e esportiva. A cidade de Chapecó, o Brasil e o mundo paravam.

Mas a Chape mostrou que desistir não é uma opção. Imediatamente após o desastre, o apoio ao clube veio de todas as partes, clubes do Brasil e do mundo, torcedores, comunidade internacional. A solidariedade não foi apenas simbólica, como doações, gestos de carinho e apoio institucional garantiram que o Verdão do Oeste poderia tentar se reerguer. Parte dos recursos foi destinada às famílias das vítimas e aos sobreviventes, como uma forma de ajudar a lidar com a perda e a responsabilidade coletiva de acolhê-los.

Apesar da incerteza e do luto, o clube voltou aos gramados. Em 2017 e 2018, conseguiu se firmar na elite do Campeonato Brasileiro, um feito que por si só já se tornava simbólico, tendo em vista a dificuldade emocional que o clube passava. Porém, nem tudo foi como o esperado. No ano seguinte, em 2019, foi rebaixado para a Série B, porém, um ano depois, em 2020, a Chape mostrou que nunca desiste, e foi campeã do Campeonato Brasileiro da Série B de forma inédita. Mas no ano seguinte (2021), lutando contra a crise financeira, a Chapecoense se via novamente sendo rebaixada à Série B. O impacto emocional e estrutural do acidente ainda carregava consequências profundas.

Apesar das subidas e descidas, a equipe de Santa Catarina nunca desistiu. Trabalho de base, reformulações internas e o forte vínculo com a torcida foram fatores essenciais. A identidade do clube, abalada em 2016, resistiu. A comunidade em Chapecó e os torcedores espalhados pelo Brasil continuaram a apoiar a verde e branca, numa demonstração clara de que, embora marcada pela dor, a história não terminaria ali.

Em 2025, o time se recompôs, não apenas em termos de elenco, mas de espírito. Com uma campanha sólida na segunda divisão, a Chapecoense dependia apenas de si para subir. No dia 23 de novembro, na Arena Condá, diante da sua torcida, venceu o Atlético Goianiense por 1x0. O apito final deu fim à angústia de mais de três anos fora da elite. A comemoração extrapolou o campo: torcedores invadiram o gramado, abraçaram jogadores, cantaram e se emocionaram. Não era apenas um acesso: era a volta de um dos clubes mais queridos do Brasil ao Campeonato Brasileiro da Série A.

Esse retorno à Série A, seis dias antes de completar nove anos da tragédia, carrega um simbolismo enorme. Para muitos, representa a prova de que a dor pode até durar, mas que a resiliência, recomeço, reconstrução e esperança sempre vão falar mais alto. A Chapecoense renasce como um clube diferente, mais consciente da sua história, de sua responsabilidade social e forte na sua capacidade de resistir.

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