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STF vota para derrubar lei que proíbe cotas raciais em universidades de Santa Catarina

STF vota para derrubar lei que proíbe cotas raciais em universidades de Santa Catarina

Supremo considerou norma estadual inconstitucional e afirmou que ações afirmativas já foram reconhecidas como válidas pela Corte

| Autor: Redação/Varela Net

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Gilmar Mendes votou nesta sexta-feira (10) pela inconstitucionalidade da lei de Santa Catarina que proíbe o uso de cotas raciais em universidades públicas e instituições que recebem recursos do estado. O voto foi apresentado no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso segue em análise pelos demais ministros.

A legislação questionada, identificada como Lei 19.722/2026, foi aprovada pela Assembleia Legislativa catarinense e sancionada pelo governador Jorginho Mello. O texto proibiu a adoção de políticas afirmativas baseadas em critérios raciais em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos estaduais. A norma ainda permitia apenas reservas de vagas destinadas a estudantes de escolas públicas, pessoas com deficiência e candidatos enquadrados em critérios econômicos.

O julgamento no STF teve início após partidos políticos e entidades, como o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, entrarem com ações para contestar a validade da lei. Antes mesmo da análise definitiva pelo Supremo, a eficácia da norma já havia sido suspensa por decisão liminar do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

No voto apresentado, Gilmar Mendes destacou que o Supremo já possui entendimento consolidado de que políticas de cotas raciais são compatíveis com a Constituição. Segundo o ministro, não há dúvidas de que ações afirmativas voltadas a critérios étnico-raciais são legais e funcionam como instrumentos para reduzir desigualdades históricas no acesso ao ensino superior.

O relator também afirmou que a criação da lei ocorreu sem avaliação adequada dos impactos que a interrupção dessas políticas poderia causar. Para ele, a ausência de estudos sobre os efeitos do fim das cotas demonstra falha no processo legislativo, o que reforça a necessidade de invalidar a norma estadual.

O julgamento segue em andamento no plenário virtual do STF e deve continuar até a próxima semana, quando os demais ministros apresentarão seus votos. Até o momento, já há manifestações favoráveis à derrubada da lei, o que indica tendência de formação de maioria pela declaração de inconstitucionalidade da medida.

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