PGR e Judiciário solicitam R$ 533 milhões extras para pagar benefícios salariais
Discussão envolve a possibilidade de abertura de um crédito extraordinário, que permitiria liberar os recursos sem submetê-los ao limite de despesas do arcabouço fiscal
Foto: Divulgação/STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Conselho da Justiça Federal (CJF) querem a liberação por parte do governo federal de R$ 533 milhões para custear pagamentos extras a integrantes do Ministério Público e da magistratura ainda em 2026. Diante da falta de recursos indicada pelos órgãos, a Advocacia-Geral da União (AGU) levou a questão ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (6).
A solicitação está associada à decisão do STF que restabeleceu o pagamento dos quinquênios, benefício que soma 5% aos salários a cada cinco anos de carreira, limitado a 35%. A verba pode ser recebida acima do teto remuneratório do funcionalismo público, atualmente em R$ 46.366,19.
De acordo com os órgãos, os orçamentos disponíveis não são suficientes para cumprir a determinação judicial. A estimativa é de que o benefício custe R$ 208,9 milhões ao Judiciário e R$ 324 milhões ao Ministério Público. Neste último caso, o cálculo também inclui indenizações por férias não usufruídas.
Na manifestação enviada ao Supremo, a AGU pede esclarecimentos acerca de como a decisão deve ser cumprida diante da insuficiência orçamentária. O órgão também pede que a Corte determine as medidas necessárias para garantir os pagamentos. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A discussão envolve a possibilidade de abertura de um crédito extraordinário, que permitiria liberar os recursos sem submetê-los ao limite de despesas do arcabouço fiscal. Esse tipo de mecanismo é previsto para situações urgentes e imprevisíveis, como guerras, calamidades públicas e comoções internas.
Porém, a consultoria jurídica do Ministério do Planejamento e Orçamento avaliou que a decisão do STF, por si só, não demonstra uma situação de urgência comparável a esses cenários. O parecer também aponta que não foi demonstrado quais serviços públicos seriam prejudicados caso os órgãos recorressem a remanejamentos orçamentários.
Por meio de nota, o Ministério do Planejamento afirmou que o parecer não representa uma autorização para abertura do crédito extraordinário e reforçou que a medida é inadequada para o caso. A pasta, entretanto, declarou que uma eventual determinação judicial nesse sentido será cumprida.
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