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Mendonça libera sigilo de processo com pagamentos de Vorcaro às vésperas de julgamento no STF

Mendonça libera sigilo de processo com pagamentos de Vorcaro às vésperas de julgamento no STF

Petição reúne dados do Coaf sobre movimentações ligadas ao ex-banqueiro e foi aberta após pedido de Alexandre de Moraes e determinação de Fachin

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo da Petição 15.645, que reúne informações sobre a rede de pagamentos ligada ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. A decisão ocorreu após pedido do ministro Alexandre de Moraes e determinação do presidente da Corte, Edson Fachin, um dia antes da sessão plenária que poderá definir a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.

A petição reúne três peças principais. A primeira é um pedido da Polícia Federal ao STF para ter acesso a Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo a PF, o órgão atendeu apenas parcialmente à solicitação após identificar pagamentos destinados a pessoas que teriam foro privilegiado, o que exigiria autorização do Supremo para a divulgação dos dados.

No processo, a PF havia solicitado a Mendonça autorização para acessar essas informações. Até então, não havia registro de decisão do ministro sobre esse pedido. Com a retirada do sigilo, o conteúdo do relatório do Coaf passou a ficar disponível para consulta.

Entre os dados apresentados pelo conselho estão movimentações de mais de R$ 57 milhões relacionadas à Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. A instituição aparece nas investigações por sua ligação com Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que atuava como pastor. A igreja também foi alvo de apurações relacionadas à CPMI do INSS e a suspeitas envolvendo emendas parlamentares.

O relatório também registra um repasse de R$ 22 mil para Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Segundo as investigações, ele seria ligado a Vorcaro e teria atuado em ações de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos a mando do empresário.

A abertura do processo ocorreu após Moraes pedir a Fachin, no domingo (13), que o material fosse disponibilizado aos demais ministros. O magistrado afirmou que os documentos possuem “elementos essenciais” para a análise do caso que será feita pelo Supremo nesta terça-feira (15).

Fachin acolheu o pedido após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou que Mendonça retirasse o sigilo da petição. “Tendo em vista a manifestação da Procuradoria-Geral da República, acolho o pedido formulado pelo e. Ministro Alexandre de Moraes [...] para solicitar que o e. Ministro André Mendonça promova o levantamento do sigilo da Pet 15.645”, escreveu o presidente do STF.

A decisão ocorre em meio à crise entre ministros do Supremo sobre o acesso aos documentos do caso Master. Moraes vinha defendendo que os magistrados tivessem acesso integral aos elementos da investigação antes do julgamento desta terça-feira, enquanto integrantes da Corte questionavam a divulgação apenas de parte dos documentos.

Além da Petição 15.645, existem outros materiais relacionados às investigações que permanecem sob sigilo, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal de pessoas físicas e empresas investigadas. Esses documentos envolvem, entre outros alvos, empresas ligadas a Vorcaro e ao seu cunhado.

A sessão do STF está marcada para esta terça-feira, às 10h, e deverá analisar os desdobramentos das mensagens encontradas no celular de Vorcaro e a eventual abertura de uma investigação contra Moraes. O conteúdo das conversas, divulgado anteriormente, colocou em evidência a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.

Em meio à disputa pelo acesso aos documentos, a Polícia Federal também entregou nesta segunda-feira dados do celular de Vorcaro aos gabinetes de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que haviam solicitado acesso ao material. A disponibilização dos documentos ocorre enquanto o Supremo tenta definir os elementos que estarão à disposição dos ministros para a análise do caso.

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