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Lula deve manter distância calculada de Moraes após crise envolvendo Vorcaro

Lula deve manter distância calculada de Moraes após crise envolvendo Vorcaro

Presidente avalia defender investigações e o direito de defesa do ministro, mas evita assumir uma posição pública de apoio em meio às suspeitas sobre a relação com o banqueiro

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Flickr/Lula Oficial / Luiz Silveira/STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter uma distância calculada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de mensagens que expõem a relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo aliados, Lula avalia que uma defesa explícita de Moraes poderia fazer com que a crise envolvendo o ministro respingasse diretamente em seu governo e na campanha pela reeleição.

A orientação dada a aliados é que, caso seja questionado publicamente sobre o episódio, Lula deve defender a pacificação e ressaltar a importância das investigações e do direito de defesa, mas sem assumir uma defesa direta de Moraes. A estratégia seria semelhante à adotada pelo presidente diante das suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Auxiliares avaliam que uma manifestação pública sobre o caso pode ajudar a evitar que a oposição estabeleça uma ligação mais direta entre o presidente e o ministro.

Lula tem uma relação amistosa com Moraes, que se tornou um dos principais alvos de críticas do bolsonarismo, mas o presidente sabe que o ministro nunca esteve totalmente alinhado ao seu governo. O petista também não esqueceu o episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. No fim de abril, o Senado rejeitou a indicação do então advogado-geral da União, em uma votação que, segundo aliados de Lula, teve atuação contrária de Moraes. O episódio provocou um afastamento entre os dois, que voltaram a se aproximar recentemente.

Nesta terça-feira (1º), Lula procurou ministros do Supremo diante do agravamento da crise interna provocada pela divulgação das mensagens entre Moraes e Vorcaro. Integrantes da ala mais próxima ao ministro reclamaram da falta de uma reação institucional mais contundente do governo e fizeram críticas ao papel de Jorge Messias. A Advocacia-Geral da União não avançou com um pedido da Polícia Federal para contestar medidas determinadas pelo ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao Banco Master.

Entre as medidas questionadas estão a determinação para que a PF compartilhe com o gabinete de Mendonça dados brutos das investigações e comunique previamente mudanças nas equipes responsáveis pelos inquéritos. Também houve cobranças relacionadas ao Ministério da Justiça, especialmente sobre a defesa da Polícia Federal diante de vazamentos de informações envolvendo investigações, entre elas apurações sobre a relação de Fábio Luís Lula da Silva com uma rede de lobistas no governo.

O relatório da Polícia Federal divulgado nesta semana aponta que Vorcaro teria procurado Moraes durante o período de agravamento da crise envolvendo o Banco Master. Segundo as mensagens extraídas do celular do banqueiro, ele teria pedido orientações e buscado a intervenção do ministro para tentar impedir a liquidação da instituição financeira e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para que autoridades fossem sensibilizadas e pergunta como poderia agir para reverter a situação.

Aliados que estiveram com Lula após a divulgação das mensagens afirmam que o presidente ficou perplexo com o conteúdo das conversas e avaliou reservadamente que o episódio representa uma crise do Poder Judiciário com reflexos sobre a sociedade. O presidente também teria considerado preocupante o impacto do caso sobre a credibilidade das instituições e da própria democracia. Para integrantes do governo, quanto mais Moraes for associado ao governo Lula, maior será o risco de o desgaste atingir o presidente.

A situação ocorre em meio a uma disputa eleitoral acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que na terça-feira defendeu a saída de Moraes do STF. A avaliação de aliados de Lula é que qualquer gesto de apoio explícito ao ministro poderia ser explorado pela oposição e prejudicar o presidente eleitoralmente. Por isso, a estratégia, pelo menos no curto prazo, é evitar que a crise do Supremo seja transferida para o campo político do governo.

Enquanto isso, uma ala do STF próxima a Moraes questiona a validade do relatório produzido pela Polícia Federal e avalia que uma eventual investigação envolvendo um ministro da Corte precisaria ser autorizada pelo próprio colegiado. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, defendeu nesta terça-feira a nulidade do relatório. O procurador-geral Paulo Gonet, que também é citado nas mensagens, afirmou que a determinação de André Mendonça para que a PF identificasse os destinatários das comunicações de Vorcaro teria ultrapassado os limites de competência do magistrado e ressaltou que a legislação prevê autorização do plenário do STF para investigar um integrante da Corte.

A crise também já provoca manifestações de integrantes da campanha petista. Ex-ministros de Lula que disputam a eleição, como Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Paulo Pimenta e Fernando Haddad, defenderam que as suspeitas sejam investigadas. Haddad afirmou que sempre defendeu que casos dessa natureza sejam esclarecidos, independentemente de quem esteja envolvido.

A relação entre Lula e Moraes voltou a se aproximar nos últimos meses. Em 4 de agosto, o ministro recebeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em um jantar em sua residência, em Brasília, que contou com a presença de Lula e ajudou na reaproximação entre os dois. Agora, diante da crise envolvendo Vorcaro, o presidente deve preservar a relação institucional com Moraes, mas evitar uma defesa direta do ministro para impedir que as suspeitas e o desgaste do STF atinjam sua imagem e sua campanha.

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