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Fachin adia julgamento sobre Mendonça no caso Master após impasse envolvendo Moraes

Fachin adia julgamento sobre Mendonça no caso Master após impasse envolvendo Moraes

Presidente do STF afirmou que análise depende da definição sobre possível julgamento conjunto dos processos

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Antonio Augusto/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento que analisaria a conduta do ministro André Mendonça na relatoria de investigações relacionadas ao Banco Master. A sessão estava prevista para a próxima quarta-feira (23), mas foi adiada sem nova data definida, conforme despacho publicado nesta quinta-feira (17). 

A decisão ocorreu após o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino durante a sessão da última terça-feira (15), quando o STF analisava a possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido suspendeu a discussão por até 90 dias.

Durante o julgamento, o ministro Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem para que os casos envolvendo Moraes e Mendonça fossem analisados conjuntamente, sob o argumento de que os processos tratam do mesmo cenário fático. A proposta também envolve a possibilidade de redistribuição dos feitos e a manifestação do procurador-geral da República e dos magistrados citados.

A votação sobre a reunião dos processos estava em 4 votos a 3 pela tramitação separada quando Dino pediu vista. Votaram pela análise conjunta Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, enquanto Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam julgamentos distintos.

No despacho desta quinta-feira, Fachin afirmou que os pontos discutidos na questão de ordem têm relação direta com o processo que trata da atuação de Mendonça, incluindo questionamentos sobre a regularidade da relatoria.

“Considerando a direta relação dos pontos contidos na Questão de Ordem referida acima com a apreciação destes autos, abarcando questionamento sobre a regularidade da própria relatoria, a inclusão em pauta será oportunamente redesignada”, escreveu o presidente do STF.

O processo contra Mendonça foi instaurado a partir de informações apresentadas por Moraes. O ministro questiona a atuação do colega na condução de procedimentos relacionados ao Banco Master e às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo a solicitação de um relatório de inteligência da Polícia Federal.

A crise entre os ministros se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo as informações divulgadas, o banqueiro teria buscado apoio do ministro junto ao diretor-geral da PF e ao procurador-geral da República para tentar conter o avanço das investigações.

Em resposta, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de poder e favorecimento de grupos políticos. As acusações ainda são objeto de discussão no Supremo e não representam uma conclusão sobre eventual prática irregular.

Além do adiamento do julgamento, Fachin também cancelou a sessão extraordinária do plenário prevista para esta quinta-feira (17). A medida ocorreu em meio a novos embates públicos entre Gilmar Mendes e André Mendonça, que trocaram críticas sobre a condução dos processos e a divulgação de informações relacionadas ao caso Master. 

A retomada da análise sobre a possível tramitação conjunta dos casos e o julgamento sobre a atuação de Mendonça dependem de novas deliberações do plenário. Até o momento, Fachin não estabeleceu uma data para a apreciação do processo.

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