Caminhoneiros sinalizam paralisação e cobram medidas do governo contra aumento do diesel
Movimento ocorre em meio à insatisfação com o aumento do diesel e às medidas adotadas pelo governo federal
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Caminhoneiros de diversas regiões do Brasil intensificam a mobilização para uma possível paralisação nacional nos próximos dias. O movimento ocorre em meio à insatisfação com o aumento do diesel e às medidas adotadas pelo governo federal para tentar conter a alta do combustível. As informações foram divulgadas pela “Folha de S.Paulo”.
Segundo a reportagem, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a articulação reúne tanto motoristas autônomos quanto profissionais contratados por empresas de transporte.
Ainda não há uma data definida para a greve. No entanto, lideranças da categoria já teriam decidido pela paralisação. De acordo com Landim, o momento é de diálogo com entidades regionais, cooperativas e transportadoras, com o objetivo de estabelecer um cronograma e ampliar a adesão ao movimento.
Um dos principais pontos de insatisfação, conforme destaca a Folha, é o fato de que, poucos dias após o governo anunciar um pacote de renúncia fiscal para reduzir o preço do diesel e amenizar os efeitos da crise internacional, a Petrobras reajustou o valor do combustível nas refinarias. Para os caminhoneiros, o aumento acabou anulando o impacto da redução tributária.
"O que foi feito até agora não serviu para nada. O governo já sabia que a Petrobras ia aumentar o preço do diesel depois. Então, na prática, não gerou redução nenhuma. Precisamos ter alguma garantia", afirmou Landim.
A mobilização, segundo o caminhoneiro, já conta com apoio de entidades em diferentes regiões do país, incluindo Santos (SP), Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e Goiás.
Entre as reivindicações apresentadas, Landim defende a adoção de novas medidas que possam reduzir os custos da categoria. Ele cita, por exemplo, a exigência de cumprimento do preço mínimo do frete por parte dos contratantes e a isenção de pedágio para caminhões que trafegam sem carga.
"Estamos lutando pela lei, que não tem cumprimento na ponta", afirmou Chorão. Segundo ele, a falta de fiscalização efetiva e a pressão do mercado fazem com que muitos caminhoneiros aceitem valores abaixo do piso estabelecido. "A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que é responsável pela fiscalização, já tem meios de fazer o travamento eletrônico da planilha de custo mínimo."
A Abrava, presidida por Landim, reúne cerca de 35 mil caminhoneiros. De acordo com estimativas do próprio setor, o Brasil conta com aproximadamente 790 mil profissionais autônomos e cerca de 750 mil motoristas contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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