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Drogas, armas e paredões: O que pensa Anselmo Brandão como pré-candidato

Ex-comandante da PM baiana fala em representar categoria, implantação de escolas cívico-militares e diz que leis precisam ser fortalecidas

Drogas, armas e paredões: O que pensa Anselmo Brandão como pré-candidato

Foto: Ascom/PM | Por Brenner Menezes e Sanny Santana no dia 20 de outubro de 2021 às 10:36

Para quem achou que o coronel Anselmo Brandão se “aposentaria” após deixar o cargo de Comandante Geral da Polícia Militar neste ano, se enganou. O militar anunciou sua pré-candidatura a deputado federal no próximo pleito eleitoral. O PM, que deixou o quartel da corporação no dia 13 de janeiro sem aparentes planos, retornou com o objetivo de “defender o sistema social”, fazer leis “mais fortes” e implantar o sistema de escolas cívico-militares.

"Eu sou muito preocupado com os jovens em situação de vulnerabilidade, e a gente precisa fazer alguma política educacional que possa despertar nos estados e municípios alguma ação que não incentive o uso de drogas, tanto que eu sou um defensor dos colégios militares no estado", completou.

O coronel também afirmou que "as leis são muito frágeis" e precisam ser fortalecidas para que os crimes sejam evitados. Além disso, apesar de dizer que os criminosos não ficam impunes na Justiça baiana, muitos respondem em liberdade, o que gera "sentimento de impunidade".

O famoso termo “enxugar gelo”, atribuído a policiais por conta das rápidas solturas, inclusive, para ele, é uma expressão inadequada. “Enxugar gelo é quando você não resolve [a situação]. E quantas situações nós já controlamos?”, questionou ele, deixando claro que muitas prisões acontecem, mas com o antigo Código Penal, muitos criminosos são soltos rapidamente.

                        
                        Foto: Divulgação/PM

 

Acesso de armas facilitado pelo Governo Federal?

 Nas últimas semanas, o secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Ricardo Mandarino, e o governador Rui Costa (PT) mostraram veemência na crença de que o pesado armamento de criminosos se deve à facilidade, concedida pelo Governo Federal, de compra de armas. Sobre o assunto, Brandão concordou que a entrada do material "estimula" o poderio dos grupos criminosos. No entanto, não quis atrelar a força do tráfico apenas à entrada do material bélico.

"Acho que quando você fala de segurança pública, há várias vertentes, não dá para centralizar em um problema só. A questão que você está vendo hoje não é só das armas, você vê nossas fronteiras abertas, circulando drogas. Você vê a questão da impunidade, vulnerabilidade dos jovens com drogas porque não existe sistema de proteção para esses adolescentes", opinou.

"Temos que buscar uma visão maior. As armas estimulam, mas eu não tenho nenhuma estatística que prove que isso tem sido fator de relevância", completou Anselmo Brandão.

A forte presença do tráfico de drogas e as constantes mortes, para Anselmo, tratam-se de uma "crise". Para ele, é necessário "encontrar uma saída" e o Comandante-Geral da Polícia Militar, Paulo Coutinho, tem feito seu trabalho.

"É questão de tempo para manter a normalidade. A Bahia tem a tradição de não deixar que esses crimes, essas operações criminosas se fortaleçam. Eu acho que é uma fase. Estou vendo mais viaturas nas ruas, o que passa muito mais segurança", ressaltou o militar.

Regulamentação das drogas

Anselmo não apresentou uma opinião diferente do secretário Mandarino apenas em relação às armas. A regulamentação das drogas, assunto que gerou grande polêmica, também mostrou ser um assunto que o coronel trata de maneira diferente.

“Acho que é uma medida muito sensível. Na situação que o país se encontra, de vulnerabilidade, de não cumprimento de leis, eu acho que o debate é importante, conversar e envolver a sociedade, mas liberar por decreto é complicado”, opinou Brandão.

O militar foi ainda mais longe, imaginando que a regulamentação das drogas geraria não uma guerra de tráfico, mas uma luta entre o comércio legal e o ilegal. Portanto, para ele, o combate se dá através do “vetor policial” e o “trabalho com o dependente”. “Enquanto ficarmos focados nas drogas e não vermos as pessoas, elas vão continuar usando”, disse.

Liberação do porte de arma

A liberação das armas, outra polêmica que gera embates entre públicos da direita e da esquerda, também foi abordada pelo VNet. Questionado sobre a adoção do armamento para o público geral, o ex-comandante não discordou da medida, mas deixou claro que ela deve ser bem trabalhada, com critérios, normas e treinamento.

“A questão não é liberar arma! A questão é liberar para a pessoa habilitada, isso é diferente”, respondeu.           

Paredões

Anselmo Brandão foi exonerado do cargo de Comandante-Geral da PM, após seis anos no comando. Ao Varela Net, ele não quis comentar sobre a atual gestão de coronel Coutinho, mas chegou a falar sobre a chacina no bairro do Uruguai, durante uma festa tipo 'paredão'.

"Não irei fazer nenhum comentário sobre a atual gestão. Eu também estive no comando e cada um tem uma forma de atuar. Só digo uma coisa: segurança pública é algo que você não pode fazer uma avaliação que nem é feita sobre um time de futebol, porque nossas variáveis são muitas. Você não vai ter o policial na sua porta 24 horas, mas as variáveis de hoje, sei que estão sendo trabalhadas”, comentou Brandão.

"Os paredões acontecem desde a minha época no comando, e teve um aumento na pandemia [Covid-19]. O caso do Uruguai foi um caso pontual e oportunista de um criminoso, mas não podemos dizer que isso agora irá acontecer em todos paredões", destacou.

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