Polícia apreende relógios de luxo e identifica ocultação patrimonial de mais de R$ 1,2 bilhão na fraude do IPTU
Segundo as investigações, o grupo teria alterado dados de imóveis no sistema da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz)

Foto: Divulgação / PC-BA
Relógios de luxo, equipamentos eletrônicos e dispositivos de armazenamento de dados estão entre os materiais apreendidos pela Polícia Civil durante a Operação Valor Venal, deflagrada nesta quinta-feira (17), em Salvador. A ação investiga um esquema de fraude no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Segundo as investigações, o grupo teria alterado dados de imóveis no sistema da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) para reduzir os valores venais e, consequentemente, o imposto cobrado dos proprietários.
A apuração identificou ainda uma ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão. O valor corresponde à diferença entre os preços reais dos imóveis e aqueles que passaram a constar no sistema da Sefaz após as alterações investigadas.
Ao todo, quatro pessoas foram presas e outras quatro tiveram o afastamento do serviço público determinado pela Justiça. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão, inclusive na sede da Sefaz, além do bloqueio de até R$ 20 milhões em bens e valores dos investigados.
Durante a operação, vários relógios de luxo foram encontrados pelos policiais. Outros materiais também foram recolhidos e serão analisados no decorrer da investigação.
Na sede da Sefaz, as equipes estiveram no setor onde trabalhavam uma servidora investigada e uma ex-funcionária terceirizada. O Departamento de Polícia Técnica (DPT) auxiliou os policiais na coleta e extração dos dados.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, um dos suspeitos, apontado como captador, procurava proprietários de imóveis e oferecia serviços de revisão do IPTU. Depois da contratação, os clientes eram encaminhados a outro intermediário, que os colocava em contato com duas mulheres que se apresentavam como sócias de uma empresa de consultoria.
As duas participavam das negociações com os proprietários e também eram responsáveis pela formalização dos contratos. Uma delas foi presa durante a operação, enquanto a outra ainda não havia sido localizada.
A quarta pessoa presa é uma ex-servidora com vínculo terceirizado. Ela é apontada como responsável por executar as alterações nos cadastros dos imóveis.
As investigações apontam ainda que as duas consultoras ficavam com a maior parte dos valores pagos pelos clientes e utilizavam o acesso ao sistema municipal possibilitado por uma servidora pública.
Essa servidora teve o afastamento determinado pela Justiça por meio de medidas cautelares. Ela é investigada por facilitar o acesso ao sistema utilizado para modificar informações dos imóveis.
Entre os dados alterados estavam o ano de construção e outras características utilizadas no cálculo do valor venal. A retirada ou modificação dessas informações fazia com que o imóvel tivesse seu valor reduzido no sistema e, com isso, diminuía o IPTU cobrado.
Cerca de 700 imóveis
Segundo a Polícia Civil, as alterações ocorreram entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026 e beneficiaram cerca de 700 imóveis. Em alguns casos, a redução do valor venal chegou a 90%.
Um dos imóveis analisados tinha valor venal real de aproximadamente R$ 2,481 milhões. Após a alteração, o bem passou a ser registrado no sistema por cerca de R$ 287 mil. Com isso, o IPTU, que era de aproximadamente R$ 29 mil, caiu para cerca de R$ 2,8 mil.
Ainda conforme as investigações, o município deixou de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões durante o período analisado em razão das fraudes.
A Operação Valor Venal é conduzida pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (NECCOT), unidade vinculada ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD).
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