PF aprofunda investigação sobre grupos de intimidação e hackers ligados ao escândalo do Banco Master
Nova fase da Operação Compliance Zero aponta atuação dos grupos “A Turma” e “Os Meninos” em espionagem, ameaças, invasões de sistemas e monitoramento clandestino de adversários

Foto: Reprodução
A Polícia Federal ampliou as investigações da Operação Compliance Zero e passou a mirar diretamente grupos suspeitos de atuar em esquemas de espionagem, intimidação e ataques cibernéticos ligados ao escândalo envolvendo o Banco Master. Batizados de “A Turma” e “Os Meninos”, os núcleos são apontados como responsáveis por monitorar adversários, acessar sistemas ilegalmente e pressionar pessoas consideradas ameaça aos interesses da organização criminosa investigada.
Segundo a PF, a estrutura funcionava como uma espécie de “núcleo paralelo” responsável por ações clandestinas que incluíam perseguições, coleta ilegal de informações sigilosas, monitoramento de autoridades, jornalistas e empresários, além de operações digitais para obtenção de dados estratégicos.
O principal nome citado nas investigações é o do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como líder da organização investigada. A PF suspeita que o esquema utilizava recursos milionários para financiar operações de inteligência clandestina e proteger integrantes envolvidos em fraudes financeiras.
Outro nome que apareceu na nova fase da operação foi o de Henrique Vorcaro, preso durante o avanço das investigações. De acordo com os investigadores, ele teria ligação com a estrutura operacional montada para blindar o grupo.
A PF também identificou a atuação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, apontado como um dos coordenadores operacionais dos grupos “A Turma” e “Os Meninos”. Ele era investigado por atuar diretamente em ações de intimidação e pressão contra alvos da organização. Mourão chegou a ser preso em uma das fases da operação, mas morreu após passar mal enquanto estava sob custódia policial em Belo Horizonte.
Outro investigado é Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado suspeito de participar de esquemas de monitoramento clandestino e obtenção ilegal de dados sigilosos. A PF acredita que ele utilizava conhecimentos adquiridos dentro da corporação para auxiliar o grupo.
As investigações ainda citam David Henrique Alves, apontado como responsável pelo braço hacker da organização. Segundo a PF, ele teria coordenado invasões telemáticas, acessos ilegais a sistemas e ações de espionagem digital para obtenção de informações estratégicas.
Entre os nomes ligados à estrutura financeira do esquema aparecem ainda Fabiano Campos Zettel e Ana Claudia Queiroz de Paiva, suspeitos de operacionalizar movimentações financeiras utilizadas para custear atividades clandestinas.
A Polícia Federal também menciona nas apurações os nomes de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, investigados por possível participação em ações de vigilância e obtenção ilegal de informações.
Outro nome citado é Leonardo Augusto Furtado Palhares, apontado em relatórios da PF por suposta ligação com operações de inteligência paralela e monitoramento de alvos considerados estratégicos pela organização.
As investigações também passaram a analisar possíveis conexões políticas envolvendo o esquema. O senador Ciro Nogueira apareceu em relatórios da PF relacionados a suspeitas de favorecimento político e articulações institucionais ligadas aos investigados. Já Paulo Henrique Costa é citado em apurações relacionadas a movimentações financeiras consideradas atípicas.
A operação teve início em 2025 e investiga crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, invasão de dispositivos eletrônicos, espionagem ilegal e manipulação financeira. Ao longo das fases da Compliance Zero, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em estados como Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal.
Os investigadores acreditam que os grupos atuavam com divisão clara de funções: enquanto “A Turma” realizava ações presenciais de pressão e monitoramento, “Os Meninos” concentrava operações digitais e ataques cibernéticos para coleta de dados sigilosos.
A Polícia Federal segue analisando celulares, computadores e documentos apreendidos durante as buscas. Parte das investigações permanece sob sigilo judicial, e a expectativa é de que novas fases da operação sejam realizadas nas próximas semanas.
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