Pablo Marçal é alvo de representação no MP Eleitoral após dizer que “todo macumbeiro é derrotado”
Pedido de investigação foi motivado por declarações consideradas ofensivas contra religiões de matriz africana

Foto: Divulgação
Pablo Marçal (PRTB) foi alvo de uma representação apresentada ao Ministério Público Eleitoral por suposto racismo religioso e discurso de ódio. O pedido de investigação foi motivado por declarações consideradas ofensivas contra religiões de matriz africana.
Durante entrevista ao canal “BNTV”, o empresário afirmou que “todo macumbeiro é um derrotado (...), tem um perfil, é gente invejosa, que não prospera”. Na mesma ocasião, Marçal declarou que a macumba na África “faz a gente levitar, enquanto a daqui fica só à pinga da esquina, sujando via pública”.
Em seguida, o empresário afirmou:
"Se macumba funcionasse, a Bahia seria Dubai".
A representação foi apresentada por Ivanir dos Santos, candidato a deputado federal pelo PSB no Rio de Janeiro, que solicitou a abertura de um procedimento para apurar as declarações.
De acordo com o documento, as falas podem ultrapassar os limites da liberdade de expressão religiosa e caracterizar discriminação, racismo religioso, discurso de ódio e propaganda eleitoral vedada. A representação também pede que sejam investigadas possíveis práticas de abuso de poder ou uso indevido dos meios de comunicação.
Os advogados Carlos Nicodemos, Maria Fernanda Fernandes e Rafaela Batistone afirmam que as declarações não atingiriam apenas uma crença ou corrente religiosa específica, mas uma coletividade de praticantes historicamente exposta a processos de estigmatização e violência.
O alcance das declarações também foi citado no pedido. Segundo a representação, o vídeo ultrapassou 350 mil visualizações no YouTube, o que teria ampliado a repercussão das falas e contribuído para a reprodução de preconceitos contra determinados segmentos religiosos.
Além do caso encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, o Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) apresentou uma notícia de fato à delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio. A entidade solicita que sejam apurados possíveis delitos relacionados às declarações.
Marçal, que se lançou como postulante à Presidência da República, também teve sua candidatura impugnada pelo Ministério Público. O órgão apontou que o coach está inelegível até 2032 e que não teria comprovado vínculo político com o partido dentro do prazo previsto pela legislação.
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