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Barracas na praia: o que pode ser feito para agradar todos os lados?

Agressões a turistas em Porto de Galinhas reascendeu o debate

| Autor: Marco Pitangueira
Barracas na praia: o que pode ser feito para agradar todos os lados?

Foto: Reprodução Redes Sociais

Uma polêmica marcou o fim de ano dos brasileiros em 2025. No dia 27 de dezembro, um casal de turistas do Mato Grosso foi agredido por cerca de 30 barraqueiros em uma praia de Porto de Galinhas, Pernambuco. Informações iniciais apontam que o motivo da confusão foi a cobrança excessiva do preço das barracas utilizadas, durante momento na praia, que teria passado de R$ 50 para R$ 80 sem aviso prévio. 

Os empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, vítima das agressões, relataram sobre o caso. Segundo o primeiro, um dos barraqueiros afirmou que, caso nenhum petisco fosse consumido, o preço das barracas seria de R$ 50 reais.

"Eu falei: 'cara, isso você não explicou para a gente. Até então você tinha cobrado R$ 50, agora quer cobrar R$ 80. Não, não vou te pagar R$ 80, vou te cobrar o valor que a gente realmente havia combinado'. (...) Aí nisso ele já pegou uma cadeira e arremessou na minha cara. Eu me defendi com o braço, mas quando eu vi, já tinha caído no chão e aí juntou outros barraqueiros", relatou. 

Quase 30 pessoas participaram do momento das agressões. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) pediu desculpas aos turistas, reafirmou que Porto de Galinhas sempre foi receptiva e revelou que 14 suspeitos já tinham sido identificados. 

“Aconteceu um episódio que não vamos tratar de um incidente, vamos tratar de um crime grave, que aconteceu contra dois turistas que vieram nos visitar, que foram à praia e que, infelizmente, foram espancados de maneira brutal por criminosos que ali estavam na praia”, escreveu Raquel.

 Diante de todo este episódio, a polêmica em torno da cobrança das barracas voltou a tona no Brasil. Apesar de uma lei estatal, que existe desde 2005, ter proibido a cobrança de consumação mínima em bares e restaurantes de Pernambuco, é permitido cobrar para utilizar as barracas, desde que dê liberdade para uma consumação sem pressão. 

Em Salvador, de acordo com lei criada pela Prefeitura Municipal de Salvador, também é ilegal a considerada “venda casada” e exigência de um valor mínimo para utilizar os equipamentos. As barracas podem cobrar por aluguel de cadeiras e guarda-sóis. No entanto, se o equipamento estiver em área pública sem uso, o consumidor pode contestar o uso do espaço.   

No mês de outubro de 2025, um projeto de lei foi aprovado pela Câmara Municipal de Salvador. Entre as diversas regras de boa convivência aprovadas, estão as proibições de caixa de som e equipamentos sonoros. Agora, sobre as barracas, o PL proíbe a instalação de kits com sombreiros, cadeiras e mesas, sem a solicitação dos banhistas, na praia do Porto da Barra.

Uma das praias mais frequentadas da cidade, o Porto da Barra recebe constantes reclamações dos banhistas sobre o pouco espaço de areia livre, já que as barracas ocupam um espaço grande. Diante de toda a revolta da população e os novos projetos de leis, os barraqueiros se sentiram “acuados”, optando por um protesto. 

Neste mesmo mês de outubro, em forma de protesto, os vendedores de barracas protestaram, deixando toda a região sem o uso de equipamentos. Apesar da ausência das barracas, a nova paisagem da praia foi vista de forma positiva entre os banhistas, que comentaram sobre as medidas nas redes sociais.

“Esse protesto só serviu pra mostrar como a praia fica linda sem aquela profusão de barracas ao longo da faixa de areia. Deu até vontade de ir!”, disse um internauta no dia 28/01/2025. “Que esse protesto leve muitos dias, quero paz no final de semana”, comentou outro.  “Nossa, deu até vontade de ir ao porto! Máximo respeito ao trabalho dos barraqueiros, mas que eles extrapolam isso não tem como negar”, reforçou mais um. 

Passado quase um ano desde o protesto e repercussão, a situação ainda é um grande debate entre os soteropolitanos e turistas que frequentam as praias de Salvador, não só a Barra. Com foco maior no Porto da Barra, a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEMOP) está realizando operações de verão com equipes de fiscalização para garantir que as regras sejam seguidas.

O desafio segue longo e com muitas reclamações daqueles que frequentam o local. As praias ainda amanhecem cheia de barracas e equipamentos, com a fiscalização precisando ser mais extensa. É necessário observar e denunciar, caso cobranças ou exigências sejam feitas de formas autoritárias. 

 

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