Argentina x Inglaterra: Guerra das Malvinas adiciona capítulo político a uma das maiores rivalidades da história das Copas
Conflito de 1982 e confrontos históricos dentro de campo fazem da semifinal da Copa do Mundo um dos jogos mais carregados de simbolismo no futebol

Foto: Reprodução
Muito antes de a bola rolar em Atlanta, o duelo entre Argentina e Inglaterra já mobiliza memórias que ultrapassam o futebol. Nesta quarta-feira (15), as seleções disputam uma vaga na final da Copa do Mundo de 2026, em um confronto marcado por décadas de rivalidade esportiva e por um dos episódios mais sensíveis da história entre os dois países: a Guerra das Malvinas.
O conflito ocorreu entre abril e junho de 1982, quando a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, chamadas de Falklands pelos britânicos, território administrado pelo Reino Unido e reivindicado pelos argentinos. A resposta militar britânica resultou em uma guerra de 74 dias, encerrada com a retomada das ilhas pelo Reino Unido. O confronto deixou mais de 900 mortos e aprofundou as tensões diplomáticas que permanecem até hoje.
Quatro anos depois, as duas nações voltaram a se enfrentar, desta vez em uma Copa do Mundo. Nas quartas de final do Mundial de 1986, Diego Maradona protagonizou um dos jogos mais emblemáticos da história do futebol ao marcar o polêmico gol da "Mão de Deus" e, minutos depois, o chamado "Gol do Século", conduzindo a Argentina à vitória por 2 a 1. Para muitos argentinos, aquela vitória teve um significado que ia além do esporte, enquanto para os ingleses tornou-se uma das derrotas mais dolorosas de sua história.
Desde então, cada encontro entre as seleções carrega um peso simbólico. O retrospecto inclui confrontos marcantes, como a eliminação argentina nos pênaltis em 1998 e o empate sem gols na fase de grupos da Copa de 2002. Agora, em 2026, a rivalidade ganha um novo capítulo valendo uma vaga na decisão do Mundial.
Apesar da carga histórica, o técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, afirmou que o elenco está concentrado apenas no aspecto esportivo e não utilizará os acontecimentos do passado como motivação. Ainda assim, autoridades classificaram a partida como uma das de maior risco do torneio, reforçando o esquema de segurança em razão da rivalidade entre as torcidas e do histórico envolvendo os dois países.
Dentro das quatro linhas, o jogo vale "apenas" uma vaga na final. Fora delas, Argentina e Inglaterra voltam a reviver uma rivalidade construída por guerras, capítulos históricos e confrontos inesquecíveis que ajudaram a transformar este em um dos maiores clássicos do futebol mundial.
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