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Moraes acusa Mendonça no STF: “Está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe”

Ministros trocaram acusações durante julgamento envolvendo mensagens de Daniel Vorcaro e a crise do Banco Master

| Autor: Redação - Varela Net
Moraes acusa Mendonça no STF: “Está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe”

Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF / Antonio Augusto/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca nesta terça-feira (15), durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a crise envolvendo a Corte e as investigações do caso Banco Master. O confronto ocorreu enquanto os ministros discutiam a atuação da Polícia Federal nas apurações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sua relação com Moraes.

Moraes defendeu que o caso que envolve sua relação com Vorcaro e as acusações feitas por ele contra Mendonça fossem analisados de forma conjunta. Durante a discussão, o ministro questionou: “Não há como julgar hoje sem julgar terça [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?”. Mendonça respondeu que não se tratava de uma questão de medo. Na sequência, Moraes afirmou que não estava fazendo a pergunta ao colega, e Mendonça rebateu: “Mas eu estou lhe respondendo”.

O tom aumentou quando Moraes acusou Mendonça de ter pedido à Polícia Federal a inclusão de um colega em uma colaboração premiada. O ministro afirmou ter testemunhas, entre policiais e advogados, que poderiam confirmar a acusação. “Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: ‘Peçam, incluam o ministro Alexandre’”, declarou.

Mendonça rebateu imediatamente: “Isso é mentira”. Moraes então sugeriu que as testemunhas fossem chamadas para depor. O relator do caso Master voltou a negar a acusação e afirmou: “Mentira, mentira. Podem chamar quem quiser, vão mentir”.

Moraes também acusou Mendonça de estar “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país”, em referência às investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou Mendonça para o STF. O ministro afirmou ainda que a investigação utilizada por Mendonça para pedir a apuração sobre sua conduta seria “fraudulenta”.

Durante a sessão, Moraes também contestou a afirmação de que os relatórios de inteligência utilizados para embasar suas acusações contra Mendonça seriam “apócrifos”. Segundo ele, os documentos foram produzidos por delegados da Polícia Federal e possuem registros que permitem identificar seus responsáveis.

A crise entre os ministros se intensificou depois que Mendonça levantou o sigilo de documentos relacionados às investigações do Banco Master. Entre os materiais divulgados estão 52 mensagens atribuídas a Vorcaro e a um contato identificado como “Alexandre Moraes”, além de informações sobre encontros entre os dois e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Moraes passou a acusar Mendonça de realizar uma liberação “seletiva” dos autos e de deixar documentos de fora. Mendonça negou a acusação e afirmou que os sigilos mantidos tinham como objetivo preservar investigações em andamento e informações de terceiros.

Outro ponto de conflito foi o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao material. Na segunda-feira (14), após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou a entrega de cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou favoravelmente à ampliação do acesso aos documentos.

Diante da disputa, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar as análises. O caso envolvendo as mensagens entre Vorcaro e Moraes foi levado ao Plenário nesta terça-feira (15). Já as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça ficaram para 23 de setembro.

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