Rui Costa reage à decisão dos EUA sobre PCC e CV e diz: “Primeira medida é parar de mandar armas”
Ex-ministro defendeu ações do governo Lula contra o crime organizado e criticou possíveis interferências estrangeiras em assuntos internos do Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O pré-candidato ao Senado e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, comentou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada durante a 19ª edição do programa Governo do Brasil na Rua, realizada no bairro de Pernambués, em Salvador.
Durante coletiva de imprensa, Rui destacou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vem adotando medidas para fortalecer o combate ao crime organizado no país. Entre as iniciativas citadas estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que aguarda votação no Congresso Nacional, além do endurecimento das penas para integrantes de organizações criminosas.
"É preciso afirmar que o presidente Lula determinou que o Governo Federal vai entrar no combate ao crime organizado. Tanto é que mandou uma PEC para permitir que o Governo Federal possa ter ação mais direta de combate ao crime", declarou.
Rui também mencionou projetos já aprovados pelo Congresso e sancionados pelo presidente, além de novas ações voltadas ao fortalecimento da segurança nos presídios e ao isolamento de integrantes de facções criminosas.
Segundo ele, as organizações criminosas têm causado prejuízos à sociedade e comprometido a paz no país. No entanto, o ex-governador da Bahia demonstrou preocupação com possíveis intervenções de governos estrangeiros em temas relacionados à segurança pública brasileira.
"Outra coisa é eventuais medidas de governos estrangeiros, seja ele quem for, para tentar se intrometer em assuntos de outras nações", afirmou.
Ao comentar o papel dos Estados Unidos no combate ao crime organizado, Rui citou investigações que apontam a origem de parte do armamento utilizado por facções criminosas no Brasil.
"Recentemente a polícia identificou, e isso foi amplamente divulgado pela imprensa, que 80% dos fuzis, 80% das metralhadoras, das armas de grosso calibre, vêm dos Estados Unidos. Se o governo americano de fato quer combater o crime, quer combater o que ele chama de organização terrorista, a primeira medida é parar de produzir e de mandar para o Brasil essas armas de grosso calibre", declarou.
A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo norte-americano reacendeu o debate sobre a cooperação internacional no combate ao crime organizado e sobre os impactos que a medida pode ter nas relações entre os dois países.
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