Lula critica Trump e defende investimentos na defesa: “Está cheio de nego maluco no mundo”
Durante agenda em Santa Catarina, presidente afirmou que o Brasil deve se preparar para um cenário internacional de conflitos
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (26) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar as declarações do republicano sobre a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá. Durante evento em Santa Catarina, Lula afirmou que o mundo vive um cenário de instabilidade, defendeu mais investimentos na área de defesa e disse que o Brasil precisa estar preparado diante das tensões internacionais.
"Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa [...]. Está cheio de nego maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano quer tomar a Groenlândia, o Canadá, que vai virar estadunidense. Vai tomar o Canal do Panamá, sabe, onde que nós estamos?", declarou.
A fala ocorreu durante a cerimônia de lançamento ao mar e batismo da Fragata Cunha Moreira, terceira embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré, realizada em Itajaí (SC).
No discurso, Lula afirmou que pretende incluir o fortalecimento da defesa nacional entre as prioridades de seu plano de governo para a campanha à reeleição e defendeu que o Brasil amplie os investimentos no setor.
"Não é possível que a gente não coloque a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária. A gente não pode discutir defesa apenas repondo aquilo que estragou. É preciso que a gente defina um projeto de país que a gente quer e, definindo que país a gente quer, que defesa precisamos para garantir este país", afirmou.
O presidente também reforçou o discurso em defesa da soberania nacional e criticou qualquer possibilidade de interferência externa nos assuntos brasileiros.
As declarações sobre a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá fazem referência a falas de Donald Trump no início de 2025, quando o presidente norte-americano afirmou que não descartava o uso da força para assumir o controle desses territórios.
O debate sobre defesa ganhou ainda mais destaque após os Estados Unidos classificarem as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Integrantes do governo brasileiro avaliam que essa classificação pode abrir margem para medidas mais rígidas por parte dos Estados Unidos e, em um cenário extremo, servir de justificativa para uma eventual operação militar em território brasileiro, hipótese rejeitada pelo Palácio do Planalto.
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