Lindbergh cobra mudança na campanha de Lula e chama Flávio Bolsonaro de “pior” que Jair
Deputado petista defendeu uma postura mais incisiva contra o bolsonarismo e criticou propostas atribuídas ao senador nas áreas trabalhista e previdenciária
Foto: Redes Sociais/Flickr Flávio Bolsonaro
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta segunda-feira (14) que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa “mudar de rumo” e adotar uma postura mais incisiva diante do avanço do bolsonarismo nas eleições de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar disse ter convicção de que Lula será reeleito e classificou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “pior do que Jair Bolsonaro”.
Lindbergh reconheceu a preocupação com os resultados das pesquisas eleitorais, mas afirmou que os levantamentos devem servir como estímulo para a militância e não provocar apatia. “Nós temos que ser mais incisivos. Nós temos que falar a verdade”, declarou. Na sequência, o deputado afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria, na avaliação dele, “destruição do Brasil” e um “massacre contra o povo trabalhador e os aposentados”.
O petista também direcionou críticas às propostas defendidas por Flávio Bolsonaro e pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) em relação à jornada de trabalho. Lindbergh afirmou que o grupo pretende enfraquecer a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e transformar trabalhadores em uma situação semelhante à dos profissionais de aplicativos, sem direitos trabalhistas.
Ao falar sobre a escala 6x1, o deputado citou uma proposta apresentada por Flávio e Rogério Marinho e afirmou que ela ampliaria a possibilidade de negociação entre trabalhadores e empregadores. Segundo Lindbergh, isso poderia permitir jornadas de até 12 horas por dia e uma escala de trabalho sem folga semanal. A interpretação apresentada pelo parlamentar foi usada para reforçar sua crítica ao projeto.
Na área previdenciária, Lindbergh afirmou que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro poderia desvincular o reajuste das aposentadorias do salário mínimo e acabar com a política de valorização do piso nacional. O deputado também disse que o grupo pretende promover uma reforma da Previdência com aumento da idade mínima para 70 anos. As afirmações foram apresentadas por Lindbergh como uma projeção sobre possíveis medidas de um eventual governo de Flávio.
“O segredo pra campanha vencer é falar a verdade. Ser mais duro, ser mais incisivo”, afirmou o deputado. Ele também atacou Flávio Bolsonaro ao citar investigações envolvendo o senador e as relações dele com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Lindbergh afirmou que Flávio “está envolvido em tudo que é escândalo desse país” e citou as investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura os repasses atribuídos a Vorcaro para a produção do longa. Flávio nega irregularidades e afirma que o financiamento do filme foi privado.
Segundo reportagem da revista Piauí, documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registraram uma remessa de US$ 1,66 milhão, em setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que administrava recursos destinados ao filme. O repasse ocorreu dias após Flávio cobrar de Vorcaro parcelas que estariam pendentes, segundo a publicação.
O caso do “Dark Horse” é investigado em duas frentes no STF. Uma, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses atribuídos a Vorcaro e tem Flávio Bolsonaro entre os investigados. A outra, sob relatoria do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora Go Up Entertainment utilizou recursos de emendas parlamentares para financiar o projeto.
Lindbergh também citou a relação empresarial atribuída a Flávio Bolsonaro com Antônio Carlos Camilo Antunes. A empresa Bravo Grafeno, ligada ao senador, está registrada no mesmo endereço em Brasília de empresas associadas ao “Careca do INSS”, apontado nas investigações sobre descontos fraudulentos que atingiram aposentados e pensionistas. A coincidência de endereço, porém, não significa por si só participação conjunta nas irregularidades investigadas.
Ao final do vídeo, Lindbergh voltou a defender uma atuação mais firme da militância petista durante a campanha. “É só falar a verdade. A verdade do que significa Flávio Bolsonaro. A destruição do Brasil. O massacre dos trabalhadores”, afirmou.
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