Hugo Motta aparece em mensagens com Vorcaro sobre empréstimo de R$ 22 milhões e ingressos para Carnaval
Conversas obtidas pela PF também mostram presidente da Câmara tratando com ex-banqueiro sobre terreno em João Pessoa e outros assuntos
Foto: Divulgação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a aparecer entre os citados no caso Banco Master, que investiga supostas fraudes envolvendo a instituição financeira administrada por Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro mostram conversas entre os dois sobre a compra de um terreno em João Pessoa, na Paraíba, e um empréstimo de R$ 22 milhões feito pela cunhada de Motta junto ao Banco Master.
As mensagens também mostram Motta pedindo a Vorcaro ingressos para um camarote do Carnaval do Rio de Janeiro, para acompanhar o desfile das escolas de samba campeãs.
O conteúdo das conversas foi publicado pelos jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense.
Segundo a Folha, uma das conversas ocorreu em 23 de maio do ano passado. Vorcaro afirmou que estava em São Paulo e que passaria o fim de semana em Belo Horizonte. Na sequência, escreveu: "Mas queria mesmo estar era em Monaco com voce".
Em outra conversa, de 3 de março do ano passado, Motta teria enviado uma mensagem ao ex-banqueiro pedindo ingressos para o desfile das campeãs do Carnaval do Rio.
"irmão consegue 4 entradas no camarote para as campeãs?", escreveu Motta.
Vorcaro respondeu: "Claro irmão, quantos quiser. Me passa nome completo cpf email e telefone de cada um".
O desfile das campeãs ocorreu em 8 de março.
As conversas também registram um encontro entre os dois. Em julho, Vorcaro teria ido à residência de Motta para um café da manhã. Em agosto, o presidente da Câmara chamou o ex-banqueiro para "a casa de Davi", em possível referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Empréstimo de R$ 22 milhões
De acordo com o Correio Braziliense, diálogos extraídos pela Polícia Federal mostram conversas sobre a compra de um terreno em João Pessoa. Parte do valor do imóvel teria sido paga com recursos de um empréstimo de R$ 22 milhões contratado pela cunhada de Motta junto ao Banco Master.
Em uma das mensagens, Motta fala sobre a negociação do imóvel e menciona que a empresa havia sido transferida para sua cunhada.
"Boa noite amigo! Td bem? Desculpa incomodar no sábado, estou aqui reunido com o pessoal para finalizar a negociação de compra da área aqui de JP. Conforme falamos, já temos os documentos assinados passando a empresa para minha cunhada ela iniciou a negociação com a Adriana mas acredito que ela não tá sabendo do formato de sociedade que ficou combinado", escreveu.
Na sequência, o presidente da Câmara pediu orientação a Vorcaro sobre como deveria proceder.
"Quando puder me orienta como devemos proceder pq o prazo é curto para saldar com Intercement [empresa que atua na produção de cimento]."
Quatro dias depois, Motta voltou a conversar com Vorcaro após o ex-banqueiro informar que estava reunido com "nosso amigo".
"Certo, meu sogro está até aqui, queria levar ele pq acabamos agora de desenrolar as assinaturas que faltavam para poder prosseguir o pagamento. Se vc achar conveniente, analisa e me avisa", escreveu Motta.
Em 15 de março, o presidente da Câmara agradeceu ao ex-banqueiro pela parceria e afirmou que a negociação havia sido concluída dentro do prazo.
"Deu tudo certo a tempo de cumprir o contrato. Depois vamos marcar uma conversa para traçar os próximos passos, acredito que vamos ter êxito no projeto! Forte abraço!", disse.
Vorcaro respondeu: "Muito feliz de estarmos juntos! Te admiro muito e esse é o início de uma parceria de vida".
Motta respondeu: "Com certeza meu amigo, a admiração é recíproca!".
Conversas sobre projetos e FGC
As mensagens também mostram que Vorcaro teria procurado Motta, em novembro do mesmo ano, para tratar de um projeto de lei relacionado ao mercado de carbono. O presidente da Câmara encaminhou ao banqueiro informações que havia recebido sobre o texto aprovado pelo Senado.
Em 19 de novembro, Vorcaro perguntou: "consegue encontrar mais tarde hoje". Motta respondeu: "Sim. Pegando o texto aqui para te mandar".
Outro diálogo, de 23 de março, menciona o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Motta escreveu a Vorcaro:
"Quando puder lembra de pedir a seu pessoal o estudo daquele assunto do FGC, se vc for a Brasília essa semana podemos voltar a falar para ver onde podemos tentar encaixar esse assunto".
O que diz Hugo Motta
Em nota, Motta afirmou que, como parlamentar em seu quarto mandato, sempre manteve diálogo com diferentes setores do empresariado e representantes da sociedade.
"Enfatizo que não há nenhum ilícito retratado nos diálogos publicados e repudio a tentativa de atribuir conversas descontextualizadas a qualquer relação de interesse espúrio ou de favorecimento por minha parte. Tenho uma vida limpa, assim como é limpa a minha atuação política nesses 15 anos de vida pública", afirmou.
Sobre o empréstimo, o presidente da Câmara disse que o contrato foi realizado entre uma empresa privada e um banco privado antes de serem conhecidos os fatos e as investigações posteriormente divulgados envolvendo o Banco Master e Vorcaro.
"Como já explicitei anteriormente, o contrato de empréstimo realizado por empresa privada com um banco privado se deu quando não se tinha conhecimento dos fatos e investigações que posteriormente vieram a público sobre o Master e o seu dono. Reitero que confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações", declarou.
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