Ex-aliada de Bolsonaro, Joice Hasselmann declara voto em Lula: “Perder a democracia, jamais”
Joice foi uma das principais aliadas de Bolsonaro em 2018, quando chegou a liderar o governo no Congresso Nacional
Foto: Reprodução/Instagram/Ricardo Stuckert
A ex-deputada federal Joice Hasselmann declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (22/10), a ex-parlamentar relembrou sua aproximação com Jair Bolsonaro (PL), as denúncias que fez contra o antigo aliado e os motivos que a levaram a apoiar o petista. “Perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais”, afirmou.
Joice foi uma das principais aliadas de Bolsonaro em 2018, quando chegou a liderar o governo no Congresso Nacional. Nos anos seguintes, porém, rompeu com o ex-presidente e passou a fazer oposição ao grupo político. No vídeo publicado, ela revisitou essa trajetória, desde o apoio inicial ao bolsonarismo até o afastamento de antigos aliados.
“Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim. Fui a primeira mulher com expressão nacional a pegar pelas mãos dele e a rodar o Brasil”, lembrou. Em seguida, relatou a mudança de posicionamento ainda no primeiro ano do governo. “Mas ainda no primeiro ano do governo Bolsonaro, minhas esperanças de um país melhor foram embora. Eu vi o clã por dentro”.
A ex-deputada afirmou que “pagou caro” por ter apoiado Jair Bolsonaro e disse ter presenciado situações envolvendo o ex-presidente e familiares que, segundo ela, indicavam corrupção. “Começou com a podridão dos filhos, a farsa da esposa, vieram os aliados corruptos e a corrupção foi acontecendo de forma quase industrial. O mal tinha vencido dentro do governo”, declarou. “Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados, então, denunciei tudo, ainda em 2019”.
Hasselmann também afirmou que os planos para um golpe de Estado, que posteriormente levaram à prisão do ex-presidente, já estavam em andamento no início do governo Bolsonaro. Ela disse ter sido a primeira a denunciar a existência de uma minuta golpista e relatou ter levado informações ao Supremo Tribunal Federal (STF).
“Fui a primeira a denunciar a existência da minuta do golpe que estava na gaveta do Presidente da República. Levei informação ao Presidente do STF”, apontou. A ex-parlamentar ainda relatou ter sofrido consequências políticas e pessoais após as denúncias. “Eu perdi poder, aliados, base, fui agredida, grampeada, perseguida, espancada, mas não desisti. O tempo mostrou e comprovou que tudo que eu denunciei, debaixo de um linchamento moral, aconteceu”.
Ao comentar a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), Joice defendeu que os dois campos políticos não devem ser tratados como equivalentes. Ela afirmou que, apesar de discordar das ideias do petista, considera necessário preservar as regras democráticas.
“Um tem ideias que combato há décadas, mas dentro das regras da democracia. O outro, a família miliciana, ligada a facções criminosas, a família capaz de qualquer coisa, inclusive de mandar matar. É o grupo que representa ódio, mentira, violência, crimes, roubo”, disse.
Mesmo com seu histórico de oposição ao PT, a ex-deputada confirmou que votará em Lula no segundo turno. Ela ressaltou que pretende continuar fazendo oposição ao governo, desde que dentro dos limites democráticos. “Dia 26, volto ao debate de ideias. Sim, volto à oposição, mas dentro do processo democrático, onde é possível fazer oposição. Voto Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia”, afirmou.
Segundo Hasselmann, a decisão deverá provocar “muitas críticas” e “portas fechadas”. Ainda assim, ela questionou se Flávio Bolsonaro respeitaria a democracia caso fosse eleito presidente. “Alguém em sã consciência acha que o clã pró-golpe vai aceitar uma pessoa que não tenha o sobrenome Bolsonaro na disputa pela presidência?”, ironizou.
A ex-parlamentar também mencionou a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central no escândalo envolvendo o Banco Master. Na avaliação dela, esse vínculo poderá levar o senador à prisão. “Eu acertei todas as previsões”, declarou.
Ao encerrar o pronunciamento, Joice reafirmou sua posição e disse que sua escolha é motivada pela defesa das regras democráticas, apesar das divergências políticas com Lula. “Discordem se quiserem. Critiquem, deletem. Eu falo o que vi e vivi. Entre discordar e o mal maior, eu fico com as regras do jogo. Eu voto em Lula no domingo. Dia 26, haverá jogo”, concluiu.
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