Eduardo Paes pede cassação de Douglas Ruas por supostas irregularidades eleitorais no RJ
Ação apresentada ao TRE-RJ aponta propaganda fraudulenta, possível compra de votos e tentativa de induzir eleitores ao voto nulo; governador eleito ainda não foi alvo de decisão
Foto: Redes Sociais
A campanha do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), nesta quarta-feira (4), e pediu a cassação da chapa do governador eleito Douglas Ruas (PL) e da vice-governadora eleita Fernanda Louback. A ação aponta supostas irregularidades durante a campanha eleitoral de 2026, incluindo compra de votos e disseminação de materiais de propaganda considerados fraudulentos pela coligação.
No processo, a equipe de Paes afirma que houve uma estratégia coordenada de desinformação para manipular o eleitorado e interferir no resultado das eleições. Segundo a denúncia, materiais gráficos teriam sido produzidos e distribuídos com informações falsas sobre o candidato do PSD.
Um dos panfletos apresentados na ação associava Eduardo Paes a posições favoráveis ao aborto e à legalização das drogas, além de apresentá-lo como contrário a valores cristãos e familiares. Para a coligação, o material tinha o objetivo de prejudicar a imagem do ex-prefeito entre eleitores religiosos.
Outro material, identificado como "Rio Escolhe", teria associado visualmente Paes ao número 13, utilizado pelo PT, embora o número correto de sua candidatura fosse 55. A campanha sustenta que a estratégia poderia levar eleitores a digitar um número diferente daquele correspondente ao candidato escolhido.
A ação aponta que 204.309 eleitores digitaram o número 13 para governador. Segundo a coligação, o total foi quase 13 vezes superior ao registrado pelo número partidário inválido mais próximo, o que levantaria suspeitas de indução ao voto nulo.
A denúncia também menciona a distribuição de santinhos falsos no dia da votação, com a fotografia e o nome de Eduardo Paes acompanhados do número 22, utilizado por Douglas Ruas.
Além das acusações relacionadas à propaganda eleitoral, a campanha de Paes aponta suspeitas de compra e coação de votos. O processo menciona apreensões de dinheiro e relatos de pagamentos que variariam entre R$ 50 e R$ 200. As informações ainda precisam ser apuradas pela Justiça Eleitoral e não representam comprovação das irregularidades.
Em caráter liminar, a coligação pediu a preservação de provas e a abertura de uma investigação. No julgamento do mérito, solicita a cassação dos registros, diplomas ou mandatos de Douglas Ruas e Fernanda Louback, a anulação dos votos recebidos pela chapa e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos.
Até o momento, o TRE-RJ não havia tomado uma decisão sobre o pedido. As acusações apresentadas pela campanha de Eduardo Paes ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.
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