Caiado diz que Flávio Bolsonaro "conspirou" contra a economia do Brasil após tarifaço
Declaração foi feita ao comentar a participação de Flávio nas tratativas relacionadas às tarifas
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado; Flickr/Governo de Goiás
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou duramente a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas discussões envolvendo o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante sabatina realizada nesta terça-feira (7), Caiado afirmou que o parlamentar "conspirou contra a economia do país" e classificou sua postura como "inaceitável".
A declaração foi feita ao comentar a participação de Flávio nas tratativas relacionadas às tarifas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump. Em maio, o senador esteve na Casa Branca para uma reunião com o presidente norte-americano e, poucos dias depois, os Estados Unidos anunciaram a aplicação da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Questionado durante o evento se considerava o episódio uma "traição à pátria", Caiado respondeu:
"Isso [a legislação sobre traição à pátria] existe em todos os países democráticos, isso não é nenhuma regra nova, não! Isso aí, é você conspirar contra a economia do país. Tem uma legislação antidumping e não aplica", disse.
O tema da traição à pátria foi levantado pelo mediador da sabatina, Zeca Martins, que afirmou ter constatado a inexistência de uma legislação específica sobre o assunto após conversa com o jurista Miguel Reale Jr. Atualmente, o crime é previsto apenas no Código Penal Militar, por meio do artigo 141, aplicável exclusivamente em períodos de guerra. Já o Código Penal trata de crimes contra a soberania nacional nos artigos 344 e 359-I.
De acordo com a legislação, "entrar em entendimento com país estrangeiro, ou organização nele existente, para gerar conflito ou divergência de caráter internacional entre o Brasil e qualquer outro país, ou para lhes perturbar as relações diplomáticas" pode configurar crime.
Durante a sabatina, Caiado também direcionou críticas ao Itamaraty, afirmando que o órgão deixou de desempenhar seu papel institucional diante da decisão do governo norte-americano.
"Passou a ser política de ideologia ao invés de ser política de estado. Esta é a verdade".
Antes do início do evento, o pré-candidato conversou com a imprensa e também criticou a proposta de adiar a aplicação das tarifas para depois das eleições. Segundo ele, essa possibilidade cria uma falsa percepção de segurança para a população.
"Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral. Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!", disse Caiado.
Também nesta terça-feira (7), Flávio Bolsonaro participou de uma audiência nos Estados Unidos para defender o cancelamento das tarifas impostas ao Brasil. O encontro faz parte da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que analisa se políticas adotadas pelo Brasil causam prejuízos aos interesses comerciais dos Estados Unidos.
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