ACM Neto diz que vai processar Jerônimo e acusa vazamento do caso Master de interferir na eleição
Candidato ao governo da Bahia afirmou que valores recebidos do banco foram referentes a serviços de consultoria e negou qualquer irregularidade
Foto: TV Bahia
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou, nesta terça-feira (15), que pretende processar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) por calúnia e acusou o vazamento de informações relacionadas ao Banco Master de tentar interferir no processo eleitoral. A declaração ocorreu durante entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, na qual Neto também apresentou propostas para as áreas de transporte e saúde.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um documento atribuído a uma suposta delação de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Neto questionou a autenticidade e a autoria do material e afirmou que não há confirmação pública da existência da delação nos termos divulgados. “Eu vou processar o governador Jerônimo por calúnia, porque as matérias que foram veiculadas na semana passada de uma suposta relação do Daniel Vorcaro, que ninguém sabe se aconteceu. Foi um documento sem autoria, vazado a 20 dias da eleição, com o claro propósito de interferir no processo eleitoral”, afirmou.
A relação de ACM Neto com o Banco Master também envolve R$ 3,6 milhões recebidos por uma empresa de consultoria ligada ao candidato e à sua esposa, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os pagamentos ocorreram entre 2022 e 2024, e Neto afirma que os valores correspondem a serviços de consultoria prestados quando já não ocupava cargo público.
Durante a entrevista, o candidato disse que os serviços foram realizados de forma regular e documentada, com contrato, emissão de nota fiscal e pagamento de impostos. Neto afirmou ainda que procurou a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal para se colocar à disposição para prestar esclarecimentos sobre sua relação com o banco.
Neto também criticou as declarações feitas por Jerônimo sobre o episódio e afirmou que pretende manter o debate eleitoral concentrado em propostas. “A cada ataque, eu vou vir com uma proposta para você, baiano”, declarou.
Entre as propostas apresentadas, o candidato prometeu isentar o ICMS incidente sobre o combustível utilizado pelo transporte público para tentar reduzir o valor das passagens nos municípios baianos. Ele também propôs um plano de renovação da frota no primeiro ano de um eventual governo, com ônibus novos e equipados com ar-condicionado, sem que o investimento seja repassado aos passageiros.
Na área da saúde, ACM Neto detalhou o “Pix Saúde”, proposta que prevê o credenciamento de hospitais particulares e filantrópicos para atender pacientes do SUS quando não houver disponibilidade na rede pública. Segundo o candidato, o governo pagaria diretamente às instituições após a comprovação do serviço prestado.
A proposta prevê uma tabela de remuneração própria, com valores superiores aos praticados atualmente pela tabela do SUS, para estimular a participação dos hospitais. Entre as áreas citadas por Neto estão tratamentos oncológicos, procedimentos ortopédicos e situações de urgência e emergência.
O candidato afirmou que o modelo poderia ser utilizado para reduzir o tempo de espera por atendimento e voltou a criticar a situação da fila de regulação na Bahia. Ele citou o caso de um paciente que aguardava tratamento contra o câncer no Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, e afirmou que, caso houvesse uma vaga disponível na rede privada, o “Pix Saúde” poderia ser utilizado para garantir o atendimento.
ACM Neto também comentou sua relação com o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, que é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. O candidato afirmou que é necessário separar a relação de amizade das investigações e defendeu a apuração dos fatos.
Segundo Neto, eventuais responsáveis por irregularidades devem ser responsabilizados, enquanto pessoas que não tenham envolvimento devem ter a honra preservada. Ao final da entrevista, o candidato reforçou o lema de campanha “mudança com segurança” e afirmou que pretende atuar nos 417 municípios da Bahia.
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