Advogada denuncia estupro após ser dopada durante entrevista de estágio na Bahia
Vítima afirma que foi dopada e violentada por advogado em 2019; processo tramita em segredo de Justiça e está sem movimentações há quase quatro anos
Foto: Reprodução
Uma advogada baiana busca justiça sete anos após denunciar ter sido dopada e estuprada durante uma entrevista para uma vaga de estágio. O crime teria ocorrido em outubro de 2019, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. O acusado é o advogado Silvio Nei Oliveira da Silva, que nega ter cometido o estupro.
Na época, Marcela Macedo ainda era estudante de Direito e havia marcado uma entrevista com o advogado para concorrer a uma vaga de estágio. Segundo o relato da vítima, após ingerir uma bebida oferecida pelo profissional, ela começou a passar mal e perdeu a consciência.
Marcela contou que chegou a vomitar e voltou para a sala onde estava sendo realizada a entrevista. Depois disso, afirmou ter apagado. Ao recuperar a consciência, encontrou o advogado limpando uma parede do local.
A vítima disse ainda que questionou o que havia acontecido, mas não recebeu uma explicação. Em seguida, teve um novo apagão e só voltou a si no banheiro da própria casa. Segundo ela, havia marcas roxas em seu pescoço.
Ao entrar em contato com o advogado, Marcela afirmou ter perguntado sobre as marcas. De acordo com o relato dela, o profissional respondeu fazendo referência a um suposto relacionamento entre os dois.
Diante da situação, a então estudante procurou um professor de Direito Penal da faculdade, que a orientou a verificar se havia outras marcas pelo corpo. Marcela relatou ter encontrado hematomas nos seios e sentido dores nas partes íntimas.
Investigação
Marcela registrou um boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito. A investigação ficou sob responsabilidade da 23ª Delegacia Territorial de Lauro de Freitas.
O advogado foi preso em outubro de 2019, mas obteve liberdade provisória por meio de um habeas corpus, com determinação para o uso de tornozeleira eletrônica. No mês seguinte, conseguiu autorização para retirar o equipamento e passou a responder ao processo em liberdade.
A denúncia foi recebida pela Justiça em julho de 2020. A última audiência ocorreu em 3 de novembro de 2022, quando a juíza responsável determinou a realização de um teste de DNA.
Após diversas tentativas, o exame foi realizado e apontou compatibilidade genética entre o acusado e o material coletado no exame de corpo de delito da vítima.
Desde a audiência de novembro de 2022, o processo não teve uma solução. Marcela afirma que a defesa do acusado utilizou estratégias para atrasar o andamento da ação.
Como o processo tramita em segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não comentaram o caso.
A produção da TV Bahia também tentou contato com Silvio Nei Oliveira da Silva, mas não obteve resposta.
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