3ª fase da Operação Carbono Oculto mira ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master
Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em sete estados
Foto: Reprodução
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Operação Crédito Oculto. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas à aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. A operação também conta com a participação das polícias Civil e Militar, da Secretaria da Fazenda e da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos. Freixo também é citado nas investigações relacionadas ao extinto Banco Master, de Daniel Vorcaro, e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O Banco Genial informou que Humberto Tupinambá deixou de integrar a diretoria e de ser sócio da instituição em maio de 2026, quando foi destituído. Ele havia ingressado no banco em agosto de 2022 e é investigado por suposta ligação com o esquema atribuído a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, chamado de "Primo", entre 2024 e 2025, período em que ainda atuava como executivo da instituição.
Segundo o GAECO, a investigação identificou uma estrutura financeira e societária que teria sido criada para assumir o controle da Terrana e ocultar patrimônio. O esquema, conforme os investigadores, envolveria fundos de investimento, empresas e operações financeiras consideradas atípicas.
As apurações apontam Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", como os principais nomes da organização investigada. Apesar de serem apontados como líderes do grupo, os dois não estão entre os alvos das buscas realizadas nesta etapa.
A aquisição da Terrana teria sido viabilizada por meio de fundos e empresas constituídos especificamente para a operação. Entre as estruturas analisadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., criadas poucos meses antes da compra da distribuidora.
De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam passado por empresas e contas utilizadas como "contas de passagem". Entre as companhias citadas estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi, por onde os recursos teriam circulado antes de chegar à estrutura responsável pela aquisição da Terrana.
As suspeitas são baseadas em relatórios do Coaf, documentos bancários, dados fornecidos pelo Banco Genial, análises de movimentações financeiras e mensagens obtidas a partir de celulares apreendidos em fases anteriores da investigação.
Os investigadores também encontraram conversas que indicariam o uso de pessoas interpostas, conhecidas como "laranjas", para dificultar a identificação dos responsáveis pelo controle dos ativos e da distribuidora.
Posicionamento do Banco Genial
"O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.
Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.
No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.
A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.
Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.
A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários"
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