Trump diz que acordo para encerrar guerra com o Irã "acabou" após nova troca de ataques
Presidente dos Estados Unidos voltou a criticar o governo iraniano, mas afirmou que ainda não descarta negociações; tensão entre os dois países cresce após novos bombardeios.
Foto: Divulgação / The White House
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o memorando de entendimento firmado com o Irã para colocar fim ao conflito entre os dois países. A declaração foi dada durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, em meio à retomada dos confrontos militares.
"Para mim, é pura perda de tempo lidar com eles. São mentirosos. Há algo de errado com eles. São loucos. Para mim, acabou", declarou Trump a jornalistas.
Na sequência, o presidente norte-americano voltou a fazer críticas ao governo iraniano.
"Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, a usariam", afirmou.
Apesar do discurso, Trump adotou um tom mais moderado ao comentar a possibilidade de continuidade das negociações.
"Vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar. São boas pessoas, mas precisam me dar um retorno. Na minha opinião, é pura perda de tempo lidar com eles", disse.
O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã havia sido firmado em 18 de junho, estabelecendo um marco para negociações que buscavam alcançar um cessar-fogo definitivo após meses de confrontos.
A tensão voltou a aumentar nesta semana depois que forças norte-americanas realizaram uma nova ofensiva contra o território iraniano. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), mais de 80 alvos foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea, centros de comando, radares costeiros, instalações de mísseis antinavio e embarcações da Guarda Revolucionária. Washington afirmou que a operação foi uma resposta a ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.
Entre os alvos citados por Trump está a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã. O presidente norte-americano afirmou, no entanto, que determinou que os reservatórios de petróleo não fossem atingidos.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã informou ter lançado ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. Segundo autoridades norte-americanas, não houve registro de mortos ou danos significativos nas bases atingidas.
O governo iraniano também classificou a ofensiva dos Estados Unidos como uma "violação flagrante" do memorando de entendimento. Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, acusou Washington de agir de forma contraditória e de comprometer a credibilidade das negociações.
Além dos ataques, autoridades iranianas voltaram a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz caso novas ofensivas sejam realizadas. A passagem marítima é considerada estratégica por concentrar cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, e qualquer interrupção pode provocar impactos no abastecimento global de combustíveis e fertilizantes.
Mesmo diante da escalada militar, Trump afirmou que ainda avalia os próximos passos da estratégia norte-americana e declarou que a continuidade ou não do entendimento entre os dois países dependerá do comportamento do governo iraniano.
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