Trump chama árbitro brasileiro de "suspeito" e pressiona Fifa após expulsão na Copa
Presidente dos Estados Unidos criticou Raphael Claus, pediu revisão do cartão vermelho de Folarin Balogun e viu a Fifa liberar o atacante para as oitavas de final.
Foto: Wikipédia / Divulgação/ FIFA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a arbitragem da Copa do Mundo de 2026 e chamou o árbitro brasileiro Raphael Claus de "suspeito" ao comentar a expulsão do atacante Folarin Balogun na vitória da seleção norte-americana sobre a Bósnia e Herzegovina.
Durante entrevista no Salão Oval da Casa Branca, Trump questionou a atuação do brasileiro e insinuou que o histórico do árbitro deveria ser analisado.
"Esse árbitro, que é um pouco suspeito, se você verificar o histórico dele... Não quero dizer isso porque não gosto de criar polêmicas, mas é muito suspeito. Se você quiser, eu lhe forneço o histórico dele", afirmou.
O presidente também criticou a decisão tomada por Claus após a revisão do lance no VAR.
"Ele marcou uma falta em um lance que ninguém conseguia acreditar. Até as pessoas do outro lado disseram: 'Nossa, demos sorte'", declarou.
Ao longo da entrevista, Trump voltou a atacar a atuação do árbitro brasileiro.
"Acho que a marcação do árbitro foi horrível. Ninguém fala sobre isso. Todos falam do cartão vermelho, mas ninguém fala da decisão de dar o cartão vermelho."
Entenda a polêmica
Raphael Claus expulsou Balogun na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo. Após recomendação do VAR, o árbitro brasileiro revisou um lance em que o atacante acertou o tornozelo do zagueiro Tarik Muharemovic com as travas da chuteira e aplicou o cartão vermelho direto.
Pelas regras da Fifa, Balogun deveria cumprir suspensão automática na partida seguinte, contra a Bélgica, pelas oitavas de final. No entanto, o Comitê Disciplinar da entidade decidiu suspender a punição por um período probatório de um ano, tornando o atacante apto para atuar no confronto eliminatório.
Trump confirmou que conversou com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir uma revisão do caso, mas negou ter interferido na decisão.
"Eu só pedi uma revisão porque não achei que foi falta."
Segundo o presidente norte-americano, o lance foi apenas uma disputa normal entre dois jogadores.
A decisão da Fifa gerou forte repercussão. A UEFA divulgou um comunicado afirmando que a entidade "cruzou uma linha vermelha" ao ignorar a suspensão automática prevista no regulamento. Já Gianni Infantino afirmou que os órgãos judiciais da Fifa atuam com autonomia.
O dirigente confirmou que conversou com Trump sobre o caso, mas explicou que o processo disciplinar seguiria seu curso normal. Segundo Infantino, ele respeita a independência das comissões da entidade, mesmo quando não concorda com algumas decisões.
CBF e FPF defendem Raphael Claus
Após as declarações de Trump, a Confederação Brasileira de Futebol saiu em defesa de Raphael Claus. Em nota, a CBF destacou que o árbitro é reconhecido internacionalmente e possui uma trajetória marcada por "excelência técnica, conduta ética e absoluto respeito ao futebol".
A entidade ainda afirmou que "não há, em todo o seu histórico, qualquer elemento que o desabone ou que sustente qualquer tipo de suspeita".
A Federação Paulista de Futebol também manifestou apoio ao árbitro.
Em nota oficial, a FPF afirmou que Claus possui "reputação ilibada", construída com ética, seriedade e excelência técnica, e classificou como injustas as insinuações feitas pelo presidente norte-americano.
Raphael Claus, de 46 anos, é um dos principais árbitros do futebol brasileiro. Integrante do quadro da Fifa desde 2015, participa de sua segunda Copa do Mundo e já comandou partidas de grande relevância, incluindo a final da Copa América de 2024 entre Argentina e Colômbia. Também foi indicado ao prêmio de melhor árbitro do mundo na última temporada.
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