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Tragédia no Himalaia deixa 584 mortos e mais de 1,5 mil desaparecidos entre Nepal e Tibete

Tragédia no Himalaia deixa 584 mortos e mais de 1,5 mil desaparecidos entre Nepal e Tibete

Equipes de resgate seguem as buscas em meio à lama e aos escombros, enquanto autoridades alertam para o risco de novas inundações

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A avalanche e a consequente enchente que atingiram a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, já deixaram 584 mortos e mais de 1,5 mil desaparecidos. O desastre aconteceu na quarta-feira (26) e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e detritos, atingindo comunidades e áreas turísticas dos dois lados da fronteira.

No Nepal, a polícia informou nesta sexta-feira (28) que 579 pessoas morreram. No lado tibetano, a emissora estatal CCTV confirmou cinco mortes e informou que 558 pessoas continuam desaparecidas.

As equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros e enfrentam dificuldades para acessar algumas das áreas atingidas. No Nepal, militares realizam sobrevoos e participam das operações de busca, enquanto moradores de regiões consideradas de risco foram orientados a deixar suas casas.

A situação permanece preocupante devido ao risco de uma nova inundação. Uma barreira natural formada pelo acúmulo de terra e detritos no curso de um rio voltou a transbordar e pode se romper. Autoridades chinesas e nepalesas mantêm equipes em alerta e orientam os socorristas a deixar imediatamente as áreas ameaçadas caso o nível da água aumente.

Possível colapso de geleira

As primeiras análises indicam que o desastre pode ter começado com o colapso de uma geleira em uma região de grande altitude no Nepal. Uma grande quantidade de gelo e detritos teria bloqueado temporariamente o curso de um rio, formando uma espécie de barragem natural. Com o acúmulo de água, a barreira acabou cedendo e liberou uma forte correnteza rio abaixo.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o fenômeno como um evento sísmico de magnitude 5,2, associado ao desmoronamento da geleira. Pesquisadores ainda analisam imagens de satélite e informações coletadas em campo para determinar exatamente como a enxurrada começou.

Ainda não há uma conclusão sobre uma relação direta entre o aquecimento global e a tragédia. Cientistas, porém, afirmam que o aumento das temperaturas pode elevar o risco de derretimento e colapso de geleiras. O Himalaia está entre as regiões do planeta que registram um rápido aumento das temperaturas.

Estrangeiros entre os desaparecidos

O desastre também atingiu um grande número de estrangeiros que estavam na região. No Nepal, as autoridades ainda não tinham informações sobre centenas de turistas, incluindo cidadãos da Índia, Estados Unidos, Ucrânia, Malásia, Austrália, Reino Unido e Canadá.

No Tibete, 558 pessoas continuam desaparecidas, sendo 260 estrangeiros. As autoridades chinesas ainda não divulgaram as nacionalidades dessas vítimas.

A força da enxurrada também destruiu veículos, edifícios e estruturas de infraestrutura. Imagens registradas no lado chinês mostram uma parede de lama e detritos avançando sobre um prédio de vários andares, enquanto pessoas tentavam fugir. O porto de Gyirong, importante ponto de comércio entre China e Nepal, também foi atingido.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou a mobilização de equipes e recursos para as buscas. Segundo a emissora estatal chinesa, o líder afirmou que a prioridade é localizar e resgatar as pessoas desaparecidas.

As chuvas de monções, comuns entre junho e setembro no sul da Ásia, costumam provocar enchentes e deslizamentos na região. O desastre ocorre em meio a alertas de especialistas sobre o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos associados às mudanças climáticas.

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