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Rússia acusa França e Reino Unido de ‘brincar com fogo’ após apoio militar à Ucrânia

Rússia acusa França e Reino Unido de ‘brincar com fogo’ após apoio militar à Ucrânia

Moscou ameaça atingir instalações militares britânicas dentro e fora da Ucrânia em caso de novos ataques com armas fornecidas por Londres

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Divulgação

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta-feira (27) que França e Reino Unido estão “brincando com fogo” ao fornecer tecnologia de mísseis à Ucrânia. Segundo ela, a decisão pode provocar consequências “absolutamente imprevisíveis” para os países envolvidos.

A declaração ocorreu após o Reino Unido anunciar, na segunda-feira (24), que permitirá à Ucrânia ter acesso a tecnologia classificada para iniciar a produção própria de mísseis de cruzeiro de longo alcance Storm Shadow. A França também autorizou o licenciamento da tecnologia relacionada ao míssil europeu.

“Vocês, em Paris, Londres, Berlim e outras capitais, têm responsabilidade direta pelo envolvimento nesses ataques terroristas. Quero reiterar, e todos precisam entender isso: vocês estão brincando com fogo, e as consequências podem ser absolutamente imprevisíveis”, afirmou Zakharova.

A representante russa também voltou a ameaçar instalações militares britânicas. Segundo ela, Moscou poderá atacar equipamentos e estruturas militares do Reino Unido localizados tanto na Ucrânia quanto em outros países, caso forças ucranianas utilizem armas britânicas em ataques contra o território russo.

“Repetidamente alertamos que a resposta aos ataques ucranianos com armas britânicas contra o território russo poderá atingir quaisquer instalações e equipamentos militares britânicos, seja na Ucrânia ou além dela”, declarou.

Zakharova ainda pediu que o governo britânico abandone o que classificou como uma postura “hostil e agressiva” em relação à Ucrânia. Para a diplomata, a continuidade do apoio militar pode levar a guerra a “um nível fundamentalmente novo”.

Apoio militar

O anúncio britânico foi feito durante uma reunião de aliados da Ucrânia em Kiev, realizada no mesmo período das celebrações do 35º aniversário da independência do país. Além da transferência de tecnologia para a produção de mísseis, Reino Unido e França prometeram ampliar o apoio militar e acelerar o fornecimento de equipamentos de defesa aérea.

A Rússia já havia criticado a iniciativa. Na semana passada, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Londres estaria dificultando as negociações de paz ao ajudar a Ucrânia a produzir mísseis de longo alcance. Segundo ele, instalações responsáveis pela fabricação dos armamentos poderiam ser destruídas pela Rússia.

A escalada ocorre em meio ao aumento dos ataques ucranianos contra alvos em território russo e à intensificação das ameaças de Moscou contra países europeus que apoiam Kiev.

Alerta dos EUA

O aumento das tensões também ocorre enquanto os Estados Unidos avaliam os riscos de uma possível expansão do conflito para países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O diretor da CIA, John Ratcliffe, viajou nesta semana para Moscou em uma missão que não havia sido anunciada publicamente. Segundo informações do The Wall Street Journal, ele teria alertado autoridades russas para não testar a capacidade de reação da aliança militar com uma eventual ofensiva limitada contra um de seus integrantes.

O Kremlin confirmou a viagem, mas informou que Ratcliffe não se reuniu com o presidente Vladimir Putin. Segundo Peskov, os contatos ocorreram com representantes dos serviços de inteligência russos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a missão e classificou a viagem como “semirrotineira”. Nesta quinta-feira, afirmou que a Rússia não atacará países membros da Otan e disse manter boas conversas com Putin.

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