Irã reage a ofensiva israelense no Líbano e fecha novamente o Estreito de Ormuz
Após ataques de Israel no Líbano, Teerã bloqueia rotas estratégicas e impõe "medidas severas" a aliados dos EUA
Foto: Divulgação
O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8), como retaliação aos ataques de Israel contra o Líbano, o que elevou a tensão no Oriente Médio, com a possibilidade de um cessar-fogo se Israel não cessar os ataques ao Líbano. A medida bloqueia a rota estratégica de cerca de 20% do petróleo mundial, que ameaça embarcações e gera incertezas nos preços da energia.
O Exército de Israel anunciou "grandes conquistas" após 40 dias de tensões com o Irã, marcando o primeiro dia no cessar-fogo, mas ressaltou a continuidade dos bombardeios no Líbano contra o Hezbollah.
Em setembro de 2024, uma operação atribuída ao serviço de inteligência de Israel (Mossad) detonou remotamente milhares de pagers usados pelo Hezbollah. A ação coordenada causou dezenas de mortes e feriu cerca de 3.000 pessoas, incluindo membros do grupo e civis, transformando os dispositivos em bombas.
O país atacou novamente contra o partido político xiita libanês (bombardeios a quartéis-generais em todo o Líbano). Teerã afirmou que "repreenderá" Israel, após o anúncio do cessar-fogo. "Sua vez também chegará" , disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ameaçando o atual secretário-geral (líder) do Hezbollah, Naim Qassem.
O Irã ameaça abandonar o cessar-fogo de duas semanas firmado com EUA e Israel, após Netanyahu excluir o Líbano da trégua. Apesar da mediação paquistanesa que incluía o território libanês, ataques israelenses continuam, com 89 mortes relatadas no Líbano nesta quarta (8).
Sites de monitoramento marítimo, como o Vessel Finder, registraram a circulação de dezenas de embarcações no Estreito de Ormuz na manhã desta quarta-feira (8), após o cessar-fogo. Apesar de relatos ao Financial Times sobre a intenção do Irã de cobrar um pedágio, não havia, até a última atualização, confirmação de taxas impostas aos navios.
Irã e Estados Unidos (EUA) concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão, com início imediato. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, confirmou a participação, mas os EUA disseram anteriormente que o vice-presidente J.D. Vance, assim como o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.
As delegações, lideradas pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reúnem-se em Islamabad para negociar um acordo definitivo com o objetivo de reduzir a escalada do conflito. O Irã, em meio à guerra iniciada em 28 de fevereiro com EUA e Israel, propôs termos que incluem o fim das sanções, exigindo contrapartidas na abertura do estratégico Estreito de Ormuz.
"Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas", declara Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã
O ministro iraniano relatou negociações baseadas em um plano de 15 pontos, em que os Estados Unidos aceitaram o contraplano de 10 exigências do Irã como base para o diálogo. Veja abaixo:
- Não agressão;
- Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
- Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã;
- Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã;
- Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã;
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de indenização ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos EUA da região;
- Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
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