Crise no Líbano preocupa Programa Mundial de Alimentos nesta sexta
Em consequência da guerra entre Israel e Hezbollah, cerca de 900 mil pessoas no Líbano enfrentam estado crítico de segurança alimentar
Foto: WFP / Marco Frattini
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas informou nesta sexta-feira (10), que o Líbano enfrenta uma crise de segurança alimentar, devido aos ataques de Israel contra o partido político libanês Hezbollah, interrompendo o fornecimento de produtos e aumentando os preços.
Um cessar-fogo de duas semanas suspende campanhas de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, mas a guerra paralela entre Israel e Líbano continua desde 2 de março.
A ação foi uma retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ocorrida em 28 de fevereiro durante uma ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. O conflito resultou em uma resposta militar israelense no Líbano.
Allison Oman, diretora do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no país, declara por videoconferência de Beirute, que há uma escassez de alimentos por causa do aumento dos preços e da demanda entre as famílias deslocadas.
O programa tem como objetivo ajudar as comunidades afetadas e promover a segurança alimentar, particularmente em zonas de difícil acesso. Diante do cenário, a ponte de Qasmiyeh está operando normalmente, mas o PMA tem dificuldades em entregar ajuda na região. Dez comboios da organização chegaram ao sul para prestar auxílio a 50 mil até 150 mil pessoas.
No entanto, o Ministério da Economia e Comércio do Líbano garantiu que o país possui estoques de alimentos suficientes para três a quatro meses, com cadeias de suprimentos e operações de importação/exportação funcionando nos portos e passagens terrestres.
Já o preço dos vegetais subiu mais de 20% e o preço do pão aumentou 17% desde a data do conflito, e prejudicam as famílias que já lutam para sobreviver.
Muitos comerciantes tem estoques para menos de uma semana, mas mais de 80% dos mercados no sul do Líbano pararam de funcionar.
As dificuldades de transporte e a incapacidade dos agricultores no sul de cultivarem as suas terras intensifica a crise de segurança alimentar, segundo a ONU. A situação é agravada pelo aumento global dos preços dos combustíveis e fertilizantes, dificultando a produção local.
"Mesmo antes desta última escalada, aproximadamente 900 mil pessoas no Líbano sofriam de insegurança alimentar e a nossa análise mais recente, que será provavelmente publicada na próxima semana, indica que este número tende a aumentar", enfatizou a responsável do PAM.
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