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Rede Mix vira alvo do MPT por suspeita de assédio eleitoral na Bahia

Rede Mix vira alvo do MPT por suspeita de assédio eleitoral na Bahia

Órgão pede suspensão de camisas com número 22 e multa diária de R$ 50 mil por descumprimento de medidas

| Autor: Redação - Varela Net

Foto: Redemix / Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Justiça nesta sexta-feira (23) contra a rede de supermercados Rede Mix por suspeita de assédio eleitoral contra funcionários na Bahia. O órgão pede a suspensão imediata do uso de camisas com o número 22, que, segundo denúncias, seriam de uso obrigatório durante o expediente.

A investigação começou após relatos de que trabalhadores eram obrigados a vestir as peças durante a jornada. Segundo o MPT, o órgão também recebeu fotografias que mostrariam funcionários usando as camisas diante de colegas, clientes e outras pessoas.

A procuradora do Trabalho Manuella Gedeon, responsável pela ação, afirma que a prática pode constranger os empregados e interferir na liberdade de orientação política e no direito ao voto livre e secreto. O numeral presente nas camisas coincide com o número associado a um dos candidatos que disputam o segundo turno das eleições de 2026.

Após as primeiras denúncias, o MPT enviou uma recomendação à empresa para interromper qualquer prática que pudesse configurar assédio eleitoral e revisar campanhas promocionais com referências passíveis de interpretação política. Mesmo após a entrega da recomendação, novas denúncias indicaram a continuidade do uso dos uniformes. Uma fiscalização do órgão também teria constatado que as peças continuavam sendo utilizadas.

A controvérsia ganhou repercussão após o cantor João Cavalcanti e o compositor Marcelo Caldi visitarem uma unidade da rede em Salvador, onde funcionários vestiam as camisas.

Em nota, a Rede Mix afirmou que o número estampado nas peças faz referência exclusivamente ao aniversário da empresa, celebrado em 2026. A rede também informou ter atendido à solicitação do MPT e apresentado documentos sobre campanhas institucionais de aniversário realizadas em anos anteriores.

Na ação cautelar, o órgão solicita que a Justiça determine a suspensão imediata das camisas e a substituição dos uniformes por roupas neutras até o fim do processo eleitoral.

O MPT também pede que a empresa divulgue um comunicado interno garantindo aos funcionários a liberdade de orientação política e o direito ao voto livre e secreto. Outro pedido prevê multa diária de pelo menos R$ 50 mil por obrigação descumprida.

Além disso, o órgão quer que a Rede Mix adote medidas para assegurar que os trabalhadores escalados para atuar no dia da votação tenham tempo suficiente para votar.

A ação apresentada nesta sexta-feira busca interromper imediatamente a prática apontada nas denúncias. O MPT pretende ajuizar posteriormente uma ação civil pública para discutir o mérito do caso e eventual indenização por danos morais coletivos, caso as irregularidades sejam confirmadas.

A suspeita de assédio eleitoral ainda será analisada pela Justiça do Trabalho, que deverá avaliar os argumentos apresentados pelo Ministério Público e pela empresa.

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